Domingo, 16/01/2022
Joinville - SC

Vereadores de Saúde discutem agilidade no diagnóstico do autismo

outubro 26, 2021
Vereadores de Saúde discutem agilidade no diagnóstico do autismo
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Os vereadores da Comissão de Saúde discutiram nesta segunda-feira (25) o Projeto de Lei Ordinária nº 64/2021, de autoria do vereador Lucas Souza (PDT), que determina realização de diagnóstico precoce de autismo nas unidades de saúde de Joinville.

 

A proposta determina a adoção de instrumentos de triagem de desenvolvimento infantil, como o IRDI, aplicável em crianças de zero a 18 meses, e o M-CHAT, para crianças de 18 a 36 meses. A reunião foi presidida pelo vereador Kiko do Restaurante (PSD).

O projeto determina também a capacitação dos professores de educação infantil e dos agentes públicos de saúde para a aplicação do teste e a detecção dos sinais de risco de autismo. Segundo o texto, a detecção do transtorno nos anos iniciais, com acompanhamento adequado, traz ganhos consideráveis para o desenvolvimento da criança.

Gislaine Batista de Souza, coordenadora do Núcleo de Assistência Integral ao Paciente Especial (Naipe), diz que o assunto está sendo debatido entre os profissionais daquela unidade. Ela argumenta que é importante ter esses instrumentos, porém faz alerta para que esses instrumentos sejam utilizados como rastreio e não para um fechamento de diagnóstico de autismo.

Juliane Cristine Koerber Reis é psicóloga do Naipe e considera o projeto interessante, mas pede que o assunto seja discutido com mais profissionais. “Hoje há uma tendência de atribuir o nome de autismo a vários tipos de dificuldade que a criança apresenta e isto tem levado a falsos positivos, o que é um problema”.

Nicolas Aranda, psicólogo do Naipe, sugeriu que o projeto especifique o que são diagnóstico e tratamento precoces para evitar “proliferação de diagnósticos”.

Ana Carolina Wolf Mota, também psicóloga, pesquisadora e que trabalha há mais de 25 anos com autismo, diz que “mais de 80% dos casos de autismo têm um fator genético e que não há como a prevenção de autismo acontecer nestes casos, mas uma identificação precoce de sinais e riscos”.

Vania Schimerski, do Grupo Pais Unidos pelo Autismo (PUPA), tem filho autista e disse que Joinville precisa ampliar as políticas públicas para os autistas. “É necessário que a criança tenha a oportunidade de ser atendida o quanto antes. É necessário passar por uma equipe multidisciplinar”, advertiu.

Vania ainda acrescenta que os profissionais das unidades básicas não sabem como encaminhar uma criança para o Naipe. Por isso, para ela, é necessário que esses profissionais passem por capacitação.

A presidente da Comissão de Defesa de Pessoas com Deficiência da OAB/SC Subseção Joinville, Indyanara Araujo Baptista, diz que, do ponto de vista do direito, é necessário olhar para todos os autistas como cidadãos. Ela relembra que foi aprovada pelos vereadores em 2018 a Lei nº 8608/2018, que institui em Joinville a Política Municipal de Proteção de Direito da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autista (TEA), a qual preconiza o direito do diagnóstico precoce. Portanto, para ela não há necessidade que se implante um rastreio precoce, pois isso já é garantia legal.

 

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