Quinta, 23/09/2021
Joinville - SC
Compartilhar
Ouvir publicação

Nesta época de preparação para as festividades da Páscoa do Senhor, nos resta refletir a respeito de uma história que aconteceu mais de dois milênios atrás, e incorporarmos seus ensinamentos em nossas horas. Foi com um ósculo, que é um ato de afeto significativo, que o escolhido para ser o agente maior da traição, entregou o seu Mestre.

COM  UM  BEIJO TU ATRAIÇOAS O FILHO DO HOMEM?

“King of the kings”

 

 

Remontando a situação aos dias atuais, questionamos a quantidade de vezes em que traímos o Filho do Homem com um beijo durante nossa existência terrena. Principalmente os membros de seitas e de religiões, os tais “Doutores da Lei” de várias denominações que efetuam este tipo de traição com mais constância e menos consciência. Assim como nós, ao darmos as costas aos ensinamentos e exemplos deixados por Jesus mais de 2 mil anos atrás, tendo peso condenatório maior de traição aos envolvidos diretamente nas questões religiosas e que fazem da igreja sua segunda casa, que adoram ostentar a Bíblia e correntinha com crucifixo por onde vão, e batem no peito dizendo que são realmente cristãos. Mas quando suas vidas práticas não se fazem cristãs, traem o Filho do Homem com um beijo ao adentrarem nos templos religiosos, cantarem e entoarem louvores em público e ousarem dizer que O representam e falam no nome Dele.

Envoltos em rituais sem fim, onde atuam como adoradores do Criador, beijam Sua Face com cânticos entoados no mais alto tom, e por horas de adoração, mas em seguida, feito Judas Iscariotes modernos, acordam em seus corações sentimentos de inveja, rancor, pensamentos saturnais e de enobrecimento exagerado de seus egos, entre outros sentimentos contrários aos ensinamentos de Seu Mestre, ipso facto, vivendo envoltos a uma densa nuvem escura sobre suas almas, e são como túmulos caiados, brancos por fora, mas cheios de podridão por dentro. E como dizia Jesus: “Me louvam com os lábios, mas seus corações estão longe de mim“.

Para que continuem a dirigir suas vidas ao seu bel prazer, conseguem, através da leitura sistemática, fragmentada e relativista da Bíblia, encontrar favoritismos a seu favor, vendo como “amarelo o que é vermelho”, apenas para seguirem com seus intentos e se sentirem inexpugnáveis diante de seus raciocínios medíocres. Como nos diz Gibran: “A Humanidade vê Jesus, O Nazareno, nascendo e vivendo como um pobre, ofendido como um fraco, crucificado como um criminoso, e chora-o e lamenta-o. E é tudo o que ela faz.”

Temos muitas das religiões, que mais parecem jardins de infância doutrinando seus membros como infantos, para os quais colocam a culpa dos feitos considerados condenáveis no “príncipe das trevas”, e introduzem medo absurdo em suas almas, mas para nível de uma cultura primária, favorece a alfabetização deste nível de nossos irmãos, apenas para deturpar a sabedoria em sua essência maior.

Conforme palavras de Huberto Rohden “O homem-ego é incrivelmente insincero consigo mesmo; a expressão bíblica ‘omnis homo mendax’ (todo homem é mentiroso) é pura verdade; o homem tem a inextricável mania de se iludir a si mesmo, de se julgar auto-realizado, quando nem começou ainda o “abc” da sua iniciação. Por isso procuremos reaver nossos procederes, não falo daqueles que temos consciência que são errados, mas principalmente daqueles que temos certeza que estão corretos.

Se nesta Páscoa você pode comprar presentes aos seus amigos e felicitá-los, mas em seguida, sabendo do quanto eles têm necessidade de ti, mesmo assim os abandonar, fazendo de conta que isso não tem nada a ver contigo, que tu já tens problemas pessoais demais para resolver, ou ainda que já os ajudou o suficiente, que cada qual deve procurar a ajudar a si mesmo, como um “cada um por si e Deus por todos”, e muito menos crê que tenha você responsabilidade sobre eles, sua Páscoa não ocorreu.

Sobre esta paisagem, não tenha dúvida, você estará sendo como Judas Iscariotes, com um beijo traindo o Cristo que vive dentro de todos nós, agora e sempre. Seja na vida particular, como na profissional, procure não trair o Cristo que vive pleno no outro, pois poderá vir a ocorrer, depois de ter O traído por 30 moedas de prata apenas, ao vir a despertar para a verdade, ser acometido de imensa dor e arrependimento como ocorreu com Judas, levando-o ao suicídio, isto é, ao suicídio da paz de sua alma, pois o mundo não tem poder de nos culpar por nada, mas nós temos consciência, e é isso que nos traz a dor do arrependimento e da necessidade de começar de novo, além de remediar o mal cometido.

 

Para que não nos enforquemos através do arrependimento, feito Judas Iscariotes, que nosso afeto seja sincero e repleto de boas intenções. No mais, ninguém é juiz de ninguém, além de sê-lo de si mesmo apenas, e a sentença é dada conforme o grau de entendimento de cada qual. E mesmo que Judas Iscariotes possa ter buscado um retorno de sua fé diante de seu ato, por acreditar que realmente Jesus teria o poder de se salvar, tendo se baseado neste método para O entregar como meio impulsionante da Missão do Mestre se tornar-se mais popular, racionalizando seu ato, nós também não busquemos justificar nossas faltas com teorias de qualquer ordem, pois o que se escreve no Livro da Vida, não tem borracha que apaga e nem falta de memória possível que retire de nossa mente.”

“Quem tem olhos de ver, veja!”

Block