Quinta, 23/09/2021
Joinville - SC
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Quantos de nós teríamos peito de dizer, agora mesmo ao Criador, que entregamos o nosso espírito a Ele e que estamos prontos a deixarmos falecer nosso corpo perecível? Poucos ou nenhum de nós. Sabem porquê? Além do motivo de estarmos apegados às cousas do mundo e de termos receio inconsciente de sofrermos condenação dura por irmos repletos das mazelas que carregamos em nossa alma, é a falta de uma fé verdadeira e concreta numa vida pós-morte de fato. 

PAI, NAS TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO!

“King of the kings”

 

Dizer que acreditamos pelos lábios é fácil, mas ainda mais diante de uma crença verdadeira, mas quem a tem de fato? Sei que posso ser taxado de estar cometendo uma ignomínia profunda, mas digo que a maioria das religiões (do latim religare – ligar novamente – que teria papel único ou maior de nos religar a Deus, pois já fomos um dia ligados a Ele em plenitude de essência, além de mostrar as setas do verdadeiro caminho para voltarmos como filhos pródigos “fugimos de Sua Casa”) estão recheadas de dogmas, enfadonhamente tolos e sem atribuição popular de seus significados maiores e, assim sendo, fazem com que os seus membros engulam, mesmo não entendendo, suas preleções, dissimulando acreditar nelas (até mesmo por medo ou por limitação intelectual de questionamento), mas quando é chegada a hora do testemunho pessoal, suas bases se desmoronam, pois a construção espiritual foi erguida sobre terreno arenoso.

Por isso tudo que admiro deveras as filosofias religiosas não dogmáticas, e que fazem questão que a razão seja o carro chefe da base da crença, e que seus membros mergulhem nos estudos e conhecimento das causas, pois a fé vem a contento diante disso (mas muitas ainda oferecem até cursos, mas imersos a uma alienação diplomática e não formativa que promove conhecimento fatual). Só assim poderemos, com um alicerce firme efetuado, entregarmos sossegadamente nossa alma ao Soberano Senhor, e saberemos sofrer nos momentos de nossas provas, as quais são necessárias ao nosso desenvolvimento integral, pois este não ocorre sem que aja resistência provocada pelas ações contrárias.

Como vemos, temos ainda muito que meditar a respeito desta temática e, enquanto isso, muitos dos seres humanos estão tratando estas comemorações pascais tão ludicamente. Ovos, coelhos, presentes, procissões e rituais, nada disso, ou tudo isso, sem aprofundamento maior, passando seus dias terrenos numa mesmice sem fim, num respirar ritualístico sem formação espiritual em associação direta.

Enquanto isso matam em nome de Jesus, constroem templos de mármores e granito à custa do dinheiro suado de seus precariamente pensantes membros, gastam verdadeiras fortunas em redes de TV e rádio pedindo mais dinheiro do que ofertando evangelização, assim como revistas e jornais, CDs, Shows de cantores gospel que vivem mais como um Pop Star do que evangelizadores, além de livros repletos de meias verdades, com um punhado de páginas que pouco ou quase nada de novo nos dizem espiritualmente, apenas mudam os verbos e adjetivos e vendem mais e mais, num comércio em que Jesus não se conformou e disse A casa de Meu Pai não será transformada num covil de ladrões.

Claro que não estou, e não poderia de maneira alguma, generalizar tudo isso, mas questiono o motivo disso tudo parecer ser da maioria das religiões, perto do que seria mais razoável ao desenvolvimento do Homem em pleno Século 21. A falta da busca de uma visão mais clara da realidade nos condiciona e condena a vivermos numa sociedade desordenada, inoperante e equivocada.

Sabemos que temos nossa vida envolta a uma sociedade amálgama, e é isso que nos enriquece, mas nos afogamos diante dessa confusão, na maioria das vezes, em vez de nos aprimorarmos sobre ela. Referindo-me com acribia filosófica, só poderemos entender melhor a razão da vida a partir do momento em que, como neófitos diante da busca pelo conhecimento, tivermos uma experiência mística em nossa alma, advinda de uma procura incessante e ardorosamente desejável de termos uma visão mais ampla de nós mesmos, uma visão mais univérsica e menos egocentrista.

Devemos lembrar que a melhor maneira de converter os outros é, antes de mais nada, convertermos a nós mesmos de fato, convencendo e convertendo o outro pelo exemplo vivo do que é ser cristão, e isso se dando com a remoção do egoísmo que tivermos oculto ou manifesto, e nos esvaziarmos totalmente da nossa ilusória ego-plenitude para alcançarmos a cosmo-plenificação, como afirma Rohden.

Que realmente o Homem Crístico possa ressurgir em nós, em nossas vidas, em nossas famílias e sociedade. Mas para isso teremos que ir ao sepulcro onde colocamos o Corpo de Jesus, O Cristo, e fazermos toda a força possível de nossa alma para afastarmos a pedra que está causando obstrução a Ele de sair e vir a entrar em nossa vida em Corpo, em Espírito e em Verdade, um Cristo Vivo e Plenificador.

Que não venhamos a tornar o sacrifício de Jesus, O Cristo, um ato inoperante para nós. Enquanto não tomarmos uma ação positiva maior, Ele continuará pregado na Cruz de nossa alma, sem poder ressuscitar e se tornar luz de nosso alvorecer espiritual.

 

Então, tu entregarias teu espírito a Deus neste instante mesmo, sem pedir permissão para ir se despedir de seja quem for, ou solicitar mais um tempo para ti para resolver algo que ainda se encontra preso material e psicologicamente? Você tem fé viva na presença de Deus como criador primeiro e único de tudo e de todos nós de fato, para além do receio de questionamento de qualquer ordem a respeito? Prestemos mais atenção se nossa espiritualidade não anda mais niilista do que baseada na fé de fato. Quem puder compreender, que compreenda!

“Quem tem olhos de ver, veja!”

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