Segunda, 08/08/2022
Joinville - SC
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Estamos chegando ao término da Semana Santa deste ano e, ao abrirmos os olhos, após um piscar distraído, lá estaremos nós, em mais uma Semana Santa e, em seguida, mais outra e outra, sempre procurando refletir um pouco mais, e aprimorarmo-nos diante daquilo que as traças não roem e nem os ladrões roubam, parafraseando termos bíblicos.

NO MUNDO PASSAIS POR AFLIÇÕES, MAS TENDE BOM ÂNIMO, EU VENCI O MUNDO!

“King of the kings”

 Vamos tratar aqui para além das atribuições e problemas da vida, que nos afligem, e que temos que superar, pois também passam com o tempo, como a falta de dinheiro, desemprego, solidão, perda de ente querido, fim de relacionamentos, doenças, e etc. Vamos tratar do que realmente se trata de um problema a ser superado, isto é, a busca de si mesmo e revisão dos valores humanos, consequentemente ao distanciamento correspondente as coisas mundanas e a desvalorização das mesmas diante disso.

 

No evangelho do “discípulo que tanto Jesus amava e tão íntimo do Mestre”, João, o qual compôs poeticamente seu evangelho mais de 30 anos após os demais evangelistas, escreveu que Jesus havia dito: “Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo“. Sim, vejam que é possível e saudável, estarmos como Jesus, em carne no mundo e em espírito deslumbrando as cousas do Cosmos também. Assim ocorre aos iniciados, e que tanto são censuradas suas atitudes pelos profanos deste mundo. Para vencer o mundo é preciso suplantar o próprio estar no mundo.

Até quando alguns, que se baseiam apenas em coisas empíricas, que estão dentro de sua capacidade de raciocínio estreita ainda, continuarão a dar descomedido valor às coisas perecíveis do mundo? Quando despertarão, para além do verbo, para a verdade Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris, sim, nossa maior verdade desde que estamos encarnados neste planeta, que voltaremos ao pó enquanto corpo, e é claro que retornaremos ao Kosmos enquanto espírito.

Mas nesse retorno ao Divino, o que levaremos conosco? nossos bens materiais? nossas posições sociais e títulos recebidos? nossos órgãos fálicos? Estes últimos, que são tão honrados nesta vida por muitos dos seres, que até em muitas das vezes parecem viver e morrer por eles, chegando a confundir os desejos secretos provindos de seus ”instintos primitivos” em amor, constituindo famílias nesta base, mas que se revela a falsidade deste sentir no momento em que se tornam seres frustrados para a sociedade e para suas proles que, sendo assim, faz com que dê continuidade neste mecanismo neurótico e evasivo da busca da verdade.

E ainda mais o que dizer das ilusões do carro do ano, das vestimentas de marca, o glamour social, e tudo o mais que impera a ideia da civilização atual enquanto prioridades? Se o caixão em que deitar for o mais ornamentado ou um simples saco de lixo, nada difere neste momento. Quanto mais ligados ao transitório, mais apegados somos ao mundo e distante proporcionalmente de vencê-lo, além de mergulharmos numa batalha perdida em essência do ter em detrimento do ser.

 

O que está faltando na dispensa de nossa alma para nos saciarmos é justamente a busca da verdade, a qual se dá somente através do conhecimento em todos os setores da vida e não apenas nos teológicos, e principalmente o do autoconhecimento, e tudo isso somado ao nosso egocídio, sim, pois tudo que fascina o ego humano são apenas cousas ilusórias. E conforme o incrível Huberto Hoeden: “As verdadeiras pérolas nascem dentro de conchas no fundo do mar. Para apoderar-se duma dessas pérolas, deve o homem arriscar-se a um mergulho nas profundezas do mar“. Logo, deve mergulhar nas profundezas de si mesmo se quiser conhecer a verdade e ser livre para um dia alcançar o zênite.  É difícil para a maioria de nós, mas necessário o é.

 

Mahatma Gandhi já dizia: “A verdade é dura como diamante, mas é delicada como a flor de pessegueiro“. Goethe, ao seu último suspiro de vida soltou as palavras Licht Mehr Licht (em alemão: Luz Mais Luz), e sabemos que só o conhecimento nos proporciona essa luz. Quando chegarmos a termos a coragem de enfrentarmos o espelho de nossa alma, e diante dele afirmarmos a respeito de nossos pesares, Mea Culpa, será este o primeiro passo rumo a essa luz, pois iremos, provocando o vazio que deixará esta nossa afirmação, vazio este que se tornou devido à queda, através desta corajosa afirmação, de todas as nossas máscaras que havíamos confeccionado para disfarçar nossas culpas e fazermos de conta que estava tudo bem, destruindo este círculo hermético dentro e fora de nós. Ah, como isso me lembra do iluminado pensador oriental Gibran Khalil Gibran quando escreveu sobre o momento em que roubaram as suas máscaras e, desta maneira, pela primeira vez ele sentiu o gozo de estar nu diante dele mesmo e do mundo, mostrando a sua realidade enquanto ser humano.

Sim, Jesus venceu o mundo, mas não venceremos nós se não enfrentarmos a nós mesmos. E nos conhecendo e nos amando não devemos, mesmo assim, desejar que nossos filhos e que a sociedade venha a ser como nós, pois o tempo não anda para trás e não se demora com os tempos passados, como nos alertou Gibran, mas devemos, isto sim, criarmos deslumbramentos nos seres diante das delícias do conhecimento do mundo interior.

Muitos pensam que vencer o mundo é ter fama, dinheiro, propriedades e “status”, mas, se assim o fosse, porque sabemos daqueles que tudo isso tendo, não encontraram a tal felicidade, mas encontram-se em revelia diante da vida? Nossa missão é o despertamento nosso e o auxílio ao próximo, e muito urgente, pois tenho visto muitos pais e mães cegos, filhos e filhas mudos, religiosos surdos e filósofos paralíticos.

Mas a verdade, como tenho aprendido, sempre nos bate à porta, e se não a deixarmos adentrar pelo consentimento de nosso livre arbítrio, ela entra derrubando a porta, através da dor e da queda de nosso pedestal, tudo isso para nos mostrar o quanto estamos equivocados e orgulhosos e que não adianta fazermos cara de santos para a sociedade e para a família, representarmos equilíbrio e sabedoria e muito menos participar de rituais religiosos propostos pela sociedade, como casar, ter filhos, sucesso profissional e afins, isso tudo é apenas ramificações do ego, non sence caso não venha aditivado da base principal, a busca do aprimoramento do espírito, e lhes garanto que os exercícios para isso estão diante daqueles que condenamos e dos diferentes de nós e de como reagimos aos nossos sofrimentos e diante dos que sofrem ao nosso redor. No mais, tenhamos bom ânimo, mas não nos enganemos, pois estaremos “lost in circle” (inglês: perdidos em círculos), se continuarmos a viver pelo ego.

Para finalizar, gostaria que imaginassem que agora seria teu momento de retornar ao pó. Apague a luz, desligue a TV, feche os olhos, não se mova e tente então reconhecer teu próprio espírito. O que você estará levando para o Pai? Dos talentos que recebeu, quanto rendeu em juros? Ou será que ainda estão enterrados no fundo do quintal para ser chamado por Deus de “Servo mal e preguiçoso?”. Então, Mutatis Mutandis (latim: mudar o que tem que ser mudado).

“Quem tem olhos de ver, veja!”

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