Sabado, 28/05/2022
Joinville - SC
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Continuando com nossas reflexões sobre a Semana Santa, irei esboçar sobre orações neste quarto artigo. Muitos acham deveras estranha a atitude de Jesus, por ser O Cristo, ter orado tanto, e muito mais ainda por ter pedido ao Deus Pai que afastasse o sofrimento Dele (“Pater mi, si possibile est, transeat a me calix iste; verumtamen non sicut ego volo, sed sicut tu”), mas como percebemos no final desta prece, ocorreu uma bela ressalva ao dizer que seja feita a vontade do Pai e não a do orador, confiante na providência do Pai, rebaixando o seu desejo perante ao do Pai Celeste, sendo este o exemplo maior que nos deixou nesta prática.

VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO: O ESPÍRITO, NA VERDADE, ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA!

“King of the kings”

 

Sim, na maioria das vezes oramos desesperados por cousas que são gritos ensurdecedores de nosso mimado ego e que nada tem de útil para nossa caminhada espiritual, a qual é a base de nossa estada neste planeta. A oração faz parte de todos nós e sempre o fez, desde os índios do Xingu até mesmo, do ponto de vista antropológico, a ‘prece’ se manifesta presente inscrita nas pedras através de imagens feitas nas cavernas do período pré-histórico.

Quando lemos a respeito dos dias de Jesus na Terra, percebemos que O mesmo sempre se recolhia para orar e nos alertou sobre como devemos praticar a oração. Disse para não usarmos demais de palavras e nem vãs repetições, não orarmos para sermos vistos pelos demais, mas para orarmos em secreto e ainda nos alertou que tudo que pedirmos com fé, crendo que já o recebemos pela Graça de Deus, assim se fará. Doutrinou-nos que devemos nos recolher para orarmos, isto é, nos desligarmos do mundo exterior e entrarmos em sintonia com nosso Eu-Cósmico, abafarmos nosso ego para que nosso Eu Verdadeiro possa se manifestar em essência mais pura e ser revelado para que aja uma melhor sintonia com o Criador.

Existe, sem sombra de dúvida, magnífico poder na oração. Quando oramos, criamos em torno de nós vibrações sutis que permitem que venhamos a ter contato com as cousas do Alto. Orar é semelhante à nossa ação de sintonizar uma rádio. Se tivermos uma sintonia baixa, somente rádios AM teremos para ouvir, mas se tivermos sintonia mais potente, chegaremos às rádios FM em nosso aparelho (alma), sendo assim, ouviremos sons mais límpidos e ainda poderemos ter a opção “mono ou stereo” para nossa escolha.

Basta que, unidas em oração, nossa mente e alma estejam repletas de desejos sinceros de progresso moral e intelectual. Como nos alertou o Mestre Nazareno, não basta que oremos apenas com os lábios, mas sim com a mente e a alma em sintonia, que assim devem estar, pois é condição “sine qua non” para que alcancemos nossos objetivos e, além disso, devemos sempre terminar nossos pedidos, como eternos pedintes que somos, dizendo como Ele nos ensinou, “que seja feita a vontade do Pai, antes da nossa“, pois da mesma forma que aceitamos os conselhos de pessoas que consideramos mais instruídas que nós, por sabermos que elas têm uma visão mais ampla que nós mesmos acerca do que seja melhor, e nelas confiamos num estilo psicanalista de “sujeito suposto saber“, então imaginem quanto ao Pai Eterno e Criador de todos e de tudo o que existe. Além do mais, como ainda nos alertou Jesus, se nós, ainda que não somos bons, sabemos dar coisas boas aos outros, imagina o nosso Criador, pois não damos nós pedra à criança que pede por pão. E para nosso Pai Celeste, não passamos de bebês espirituais ainda.

Além de orar, nos aconselhou a VIGIAR pois nossas orações perderão o efeito positivo caso não vigiemos. Vigiar é peneirar nossos pensamentos diariamente, fechar nossos olhos para as sugestões dos profanos, enganados e enganadores do mundo, pois não adianta pedirmos paz se jogamos cinzas mentais sobre os próximos através de mágoas, ressentimentos, inveja ou outros sentimentos negativos que temos guardados sobre eles, como não adianta orarmos para que nossos cônjuges sejam fiéis se olhamos corpos de “ninguém” e os desejamos no dia-a-dia, como não adianta pedirmos paz de espírito se não oferecermos a paz que podemos ofertar aos que sabemos que precisam, e, principalmente, temos que vigiar nossos pensamentos. Não adianta enganarmos a nós mesmos, pois está escrito com todas as letras sobre o perigo dos pensamentos. Como exemplo disso, lemos na Bíblia que: “se olhares para alguém e desejares em pensamento, já pecou e cometeu adultério, mesmo que não tenha tido contato físico”.

 

Por isso, OREMOS E VIGIEMOS SEM CESSAR. Não somos perfeitos não, mas somos perfectíveis. E vos afirmo que, melhor que passar horas entoando hinos de louvores e em extensas e exaustivas orações, é melhor orarmos em cada respirar nosso pois nossa vida deve se fazer oração plena, sendo que, cada palavra que sai de nossa boca, cada momento e cada movimento nosso deve ser uma oração de louvor, agradecimento, de reconhecimento do poder do Criador, de desejo pelo sucesso do outro, mesmo que possa parecer egoísta quando sabemos que o que desejamos retorna a nós, mas assim o é.

Deseje tu sucesso e muita paz a todos, mas que este seja repleto de desejo pleno, vindo do coração e da mente. Não precisa declarar teus pensamentos, olhe às pessoas na rua e ao teu redor em todos os instantes, mesmo as pessoas que nunca às viu, e deseje a elas plena paz, prosperidade e tudo de melhor possível e, assim fazendo, voltarás para seu lar justificado e recompensado. Termino te desejando tudo de bom, toda paz do mundo e que as bênçãos do Alto estejam sobre ti e sobre os teus entes queridos. Que assim seja! Amém e Amém!

 

“Quem tem olhos de ver, veja!”

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