Quinta, 23/09/2021
Joinville - SC
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Assim como na época natalina, fico estarrecido diante dos rituais pagãos que a sociedade criou e os batizou como santificadores. Mas onde teremos lugar às cousas santas diante de uma civilização que vive mergulhada em seus rituais orgiásticos, fazendo com que a pedra angular das festividades esteja num ostracismo sem fim diante de suas razões maiores de ser? Não me refiro aos que estão à deriva das coisas do Alto, mas especialmente aos que demonstram boa vontade diante destas.

PERDOA-LHES, PAI, POIS ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM!

(Semana Santa parte 01/07)

“King of the kings”

Assim como na época natalina, fico estarrecido diante dos rituais pagãos que a sociedade criou e os batizou como santificadores. Mas onde teremos lugar às cousas santas diante de uma civilização que vive mergulhada em seus rituais orgiásticos, fazendo com que a pedra angular das festividades esteja num ostracismo sem fim diante de suas razões maiores de ser? Não me refiro aos que estão à deriva das coisas do Alto, mas especialmente aos que demonstram boa vontade diante destas.

Adentremos aos hipermercados modernos e presenciamos decorações e guloseimas por todos os lados, o que de longe faz lembrar ao “vulgus” o motivo das festividades. Sabemos que cada símbolo tem seu significado, mas e daí? Quantos estão realmente interessados em saber e meditar a respeito e, ainda mais, colocarem em prática em suas vivências diárias?

A Cruz do Cristo nos lembra que devemos prolongar nossos dias diante do desenvolvimento horizontal e vertical, formando assim a cruz, símbolo do viver cristão. Mas aos do mundo (os chamaremos aqui de “profanos” como diferença aos “iniciados”, conforme o pensador moderno Huberto Rohden), não possuem tempo para o crescimento vertical, ou pelo menos tanto tempo disponível para a verticalização. A linha horizontal diz respeito às conquistas da matéria, do ter e de tudo que o envolve.

Como nos ensina o filósofo holandês Spinoza, as paixões humanas, a ambição e o “prazer” impedem o ser-humano de ter felicidade e harmonia reais, assim não tem o mundo olhos para o verdadeiro sentido destes tipos de comemorações, como é a da Páscoa de Cristo, sem se desvincular dos simbolismos adotados. Spinoza foi excomungado por heresia por ter dito que devemos estudar a Bíblia, meditar e peneirar o que lemos nela,  pois podem acreditar nisso e saibam que ainda nos dias de hoje encontraremos pessoas que, mesmo diante do óbvio, querem acreditar que o livro mais importante e lido do mundo, depois de ter sido escrito em vários idiomas como copta, etíope e siríaco e, após 382, por Jerônimo, chamada “Vulgata Latina”, não foi adulterado em seus conteúdos primórdios pelo interesse de poucos. Mas os erros que existem neste Livro, são humanos, demasiado humano, parafraseando Nietzsche.

 

A maioria dos seres tem vivido a mercê do “hic et nunc” (latim: aqui e agora) e não procura ter sua vida focada “sub specie aeternitatis” (latim: sobre a ótica da eternidade). E essa é nossa luta, contra a miopia de nossa alma.

 

O maravilhoso pensador oriental Gibran Khalil Gibran, foi muito feliz em seus comentários sobre “Barrabás” em seu livro “Jesus o filho do homem” e sobre a sexta-feira santa com o título “Jesus Crucificado”, escrito em seu livro “Temporais”, a mais forte de toda literatura que ele nos deixou escrita. Leia se puder, mas lembro-te que ele escreve apenas para os loucos, isto é, aqueles que os profanos consideram como loucos, pois estes “dementes” estão mais voltados as coisas do espírito em detrimento das do corpo, do ser do que do ter, apesar de não abandonarem o templo do Espirito Santo a devira, como muitos querem crer que o façam. O iniciado enobrece a alma e o seu corpo responde a contento.

Sei que estou relatando tantas coisas que possam parecer um tanto repetitivas diante do que já foi dito por muitos, mas como o polêmico escritor Andre Gide escreveu: “Todas as coisas já foram ditas. Mas, como ninguém às escuta é preciso sempre recomeçar”.

A imagem acima é obra-prima do maravilhoso “Salvador Dali” e nos faz meditar deveras a respeito da perspectiva apresentada. Quando teremos coragem verdadeira de retirarmos Jesus da cruz e O colocarmos em nosso coração (vivência diária)? Como isso? Falando menos sobre Jesus e agindo mais como Jesus em nossas horas, usando menos ações ritualísticas e mais aquelas que falam à Alma. Mas sem hipocrisia, pois é a coisa que mais foi condenada pelo Mestre Nazareno.

Não basta que felicitem uns aos outros com um trivial “Feliz Páscoa”, mas que nas horas de maior dificuldade não façam de conta que fizeram tudo que podiam pelo outro. Não ajamos por hipocrisia, ajamos como Jesus atuaria com o próximo. E que ninguém se faça de “besta” diante disso tudo, pois todos nós temos entendimento para compreender e a respeito do dever diante do “profetizar” aos quatro ventos.

“Quem tem olhos de ver, veja!”

ADENDO: este texto faz parte de meu livro ELABORANDO A BÍBLICA PARA MELHOR VIVENCIÁ-LA, mas que ainda não foi para a editora.

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