Sabado, 25/09/2021
Joinville - SC
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Basta fazermos uma visita rápida aos postos de saúde de Joinville, e ficarmos ao lado da farmácia prestando atenção aos atendimentos, que as frases que muito ouviremos são: “Estamos em falta deste medicamento; “Estamos com o estoque zerado e sem previsão de chegada”; “Este medicamento somente comprado”, etc. Nossos pacientes psiquiátricos, por exemplo, sofrem para seguirem seus tratamentos, pois geralmente faltar algum remédio importante para eles.

Atualmente é o CARBONATO DE LÍTIO, o qual está em falta nos postos por meses, isso que ficou, na atual gestão, por cerca de dois anos sem aparecer, sendo de responsabilidade da prefeitura o mesmo. Trata-se de um estabilizador do humor usado no tratamento psiquiátrico de estados de mania e distúrbio bipolar. Mas quando não falta o lítio, falta FLUOXETINA, ou Propanolol, e etc., sendo medicamentos de uso prolongado para muitos de nossos pacientes.

Além doutros medicamentos, o mais patético é saber que está faltando agora o clássico SINVASTATINA, sem previsão de chegada também. Este medicamento é muito usado nos tratamentos de dislipidemias, pois promovem diminuição dos níveis de colesterol LDL, bem como dos de triglicerídeos, além de auxiliar na produção de colesterol HDL, e é usado por grande parte da população, e barato para ser comprado pela prefeitura.

Em se tratando de atendimento psiquiátrico, nem uma vez por mês se dá o tratamento com o médico, mas ficando 3 meses sem contato com o profissional, chegando a muito mais que isso. Que tipo de tratamento é possível ser adequado diante deste quadro?

E como fica a vida dos pacientes? além de ficarem sem medicamentos importantes para a saúde deles, aumenta o estresse devido a expectativa de retorno dos remédios para distribuição e a preocupação com a saúde, além de perderem tempo e dinheiro com transporte público ou gasolina nas idas e vindas aos postos para ouvirem a negativa da chegada dos medicamentos.

Muitos dos remédios controlados, a prefeitura não disponibiliza amplo horário para entrega, mas somente por poucas horas, e ainda tem a capacidade de fechar a farmácia uma vez por semana, com a desculpa de estar repondo o estoque, como se as doenças pudessem esperar pelo tratamento, e o povo tivesse tempo livre para pegar medicamentos somente quando resolvem entregar (quando tem ainda…). Alguém já viu uma farmácia privada fechar para repor estoque?

Se tivéssemos uma CÂMARA DE VEREADORES realmente comprometida com a população, e ciente dos problemas da mesma, já teria feito projeto em que OBRIGASSE a prefeitura a liberar a compra em farmácia do setor privado diante da falta de algum medicamento, ou mesmo se o paciente não tivesse como estar nos horários restritos de entrega dos remédios controlados. Quem sabe assim teríamos um setor de estoque mais responsável e comprometido com o trabalho pelo qual é bem pago.

A saúde pública de Joinville ainda anda em ritmo lento, mesmo que a maioria dos servidores fazem de tudo para bem atender aos usuários. Sejam as más condições de espera para quem vai fazer exames médicos (filas ao relento na Rua Itajaí), seja diante das dificuldades de atendimento em profissionais especializados, seja pela falta de comunicação mais precisa entre os funcionários (médicos e afins) e a secretaria diante de mudanças de atuações, como temos exemplos também de pacientes que ouvimos, criando mais problemas aos usuários.

Basta ainda relatar aqui que a fila para consulta ao UROLOGISTA tem mais de 5 mil na espera, tendo pacientes de mais de dois anos que ainda tem 4 mil na frente deles para serem atendidos, os quais estavam em 5 mil quando iniciaram. Se tiverem câncer de próstata, a prefeitura vai esperar  morrerem ou estar em estágio adiantado quando chamarem? E ai temos a hipocrisia de propagandas de conscientização de cuidados da saúde do homem. Assim como ocorre noutras especialidades.

Vale destacar que não estamos comparando com a realidade melhor ou pior doutras cidades ou estados, pois nos interessa aqui sobre a nossa realidade, e não temos que nos contentarmos por existir lugares que sejam piores que o nosso.

Saúde Pública não é gratuita, mas paga (e muito bem paga) pelo povo trabalhador através dos impostos sobre seus salários e produtos que compra. Pelo contrário, a saúde pública geralmente sai bem mais cara sua manutenção (mesmo diante deste quadro em que se encontra) do que a iniciativa privada gasta para manter seus funcionários e estrutura. Então pelo menos que tenha este povo o privilégio de ter um atendimento integral a contento, para além do desempenho geralmente positivo dos funcionários, os quais também precisam ter condições de trabalho adequadas para melhor ainda servir ao povo.

Finalizo afirmando que o intuito destas pautas não é profanar o trabalho da prefeitura ou desmerecer o trabalho do atual secretário da saúde, mas colaborar com os mesmos, pois queremos todos uma Joinville mais digna para todos, não estando concorrendo entre nós, mas fortalecendo um trabalhado que já tem sido feito em busca de seu aperfeiçoamento. Mas o nosso povo tem que ter voz ativa na e pela imprensa.

(Opinião do jornalista (03991/SC) e psicólogo, Carlos Alberto Hang)

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