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Opinião : Carlos Alberto Hang: O tempo sem tempo de ser

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A partir do século XVIII podemos dizer que a dinâmica da vida humana tomou novos rumos como se, até então, o homem andasse com o freio de mão puxado.

Um dos exemplos é a mudança ocorrida com a criação da máquina a vapor. Uma viagem da Inglaterra à Austrália durava 6 meses com os barcos a vela, mas com o navio a vapor, apenas 5 semanas.




a, hoje é muito mais que o dobro, chegando muitos de nós a 100 anos de vida.

Um ano tem geralmente 365 dias e, um dia, 24 horas, e isso não mudou. Se tudo está tão rápido, se temos mais saúde e, consequentemente mais expectativas de vida, por que será que a maioria de nós tem reclamado da falta de tempo e tem dito que os anos têm passado diante de seus olhos cada vez mais rápido e a sensação é a de que não se conseguiu fazer praticamente nada? Que matemática é essa onde o mais passa a ser sinônimo de menos? Outro aniversário, mais um ano se passa, mais um curso se finda, outro filho se casa, mais um parente que sai desta paisagem terrena.

Um dos diagnósticos poderia ser dado pela alienação, com a qual atuamos mecanicamente cada ato e não o vivenciamos de fato.

Vamos a um aniversário sem nos darmos conta do que isto significa; elaboramos uma festa natalina sem nos importarmos com seus motivos de vir a ser; jantamos sem degustarmos, entre demais exemplos.

Outro motivo pode ser a de não estarmos sintonizados com o momento presente, no qual, se não estamos presos ao passado, estamos projetados sobre as ações futuras.

No caso do passado, ficamos a comparar as situações de hoje com as já vivenciadas, sendo que estas são geralmente distorcidas na memória através de ações romantizadas. Ou perdemos a possibilidade de vivenciar o hic et nunc (aqui e agora) por estamos projetados no futuro, o que aumenta nossa ansiedade e não nos permite estarmos em corpo e alma presentes no momento atual.

Nunca teve o ser humano tanto tempo livre quanto temos atualmente, onde máquinas fazem o serviço mais pesado e demorado e encontramos móveis e alimentos prontos, deslocamentos rápidos de um lugar para outro e comunicação instantânea, mas ironicamente sentimos que o tempo está passando rápido demais, que não temos tido tempo para nada e  muito menos para nós mesmos, além de estamos com dificuldades de comunicação e de viver a vida de fato.

Ninguém parece mais ter tempo de passar algumas horas num ócio contemplativo sentado com familiares e amigos numa varanda ou calçada. Algo está muito errado nisso tudo e se tem algo errado, é conosco mesmo que se encontra o erro.

Como dizia meu amado pensador libanês, Gibran Khalil Gibran: “O vida não anda para trás e não se demora com os dias passados”.

Portanto, faz-se necessário que tomemos na prática a máxima de vivermos cada dia como se fosse o último pois do contrário, estamos diante do perigo de não vivermos nem o presente, nem o passado e nem o futuro, pois este sempre estará a nossa frente e o passado estará apenas no campo memorial, sendo o presente abafado pela falta de foco no momento vivido.

Passa-se, por exemplo, muito tempo em frente à televisão, navegando na Internet, falando ao telefone e trabalhando, sendo horas roubadas da vida que era para ser mais do que vivida, isto é, presenciada.

Enquanto os pais somam horas trabalhando preocupados em ter além do necessário em nome de um conforto maior, assistindo campeonatos de futebol intermináveis, entre outras ações, seus filhos crescem e, ao se darem conta, perderam deles os momentos mais especiais, não digo aqueles pagos (casamentos e formaturas) mas os cotidianos.

Quando percebem, a agitação do lar se tornou um silêncio tortuoso, e as portas que batem na casa agora são por causa do vento forte que vem lá de fora, pois os filhos não mais estão ali.

E o que dizer das proles que se esquecem de vivenciar aos pais, passando em seus lares feito relâmpagos durante festividades e em momentos programados, como se estivessem batendo cartão ponto obrigatório?

Passado o Dia das Crianças, as lojas são decoradas para o Natal. Depois deste, o motivo da decoração é “o volta às aulas”, e depois a Páscoa, após o Carnaval, em seguida o Dia das Mães e, quando se vê, as cores do Natal estão de volta em outubro. É a ciranda de comprar, produzir e consumir, mas não viver.

É hora de uma reflexão maior a respeito de como temos aproveitado o tempo, o nosso tempo, antes que não tenhamos mais tempo, pois o ser humano tem tido muito mais tempo para viver, mas tem vivido menos a cada dia o seu tempo, pois parece que o tempo já não mais tem tempo de ser.

(Texto de autoria de Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931) e jornalista (03991), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz – Genebra – Suíça – Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.

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Carlos Alberto Hang
Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931/SC) e jornalista (03991/SC), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz - Genebra - Suíça - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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