Quinta, 23/09/2021
Joinville - SC

Depressão: causas e tratamento… by Carlos Alberto Hang

abril 16, 2021
Depressão: causas e tratamento… by Carlos Alberto Hang
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Tendo causa diante de uma complexa interação entre diversos fatores de origem psicológica, orgânica, ambiental, e também “espiritual”, sinalizado através de desinteresse e perda de prazer pela vida, angústia e rebaixamento do humor e energia, temos o famoso transtorno mental nominado como “O Mal do Século”, a DEPRESSÃO.

Existe uma combinação de fatores biológicos, genéticos e emocionais que desencadeiam tal transtorno.

A estrutura da personalidade do indivíduo pode dizer muito a respeito da sua condição de deprimido, pois ela diz respeito às suas características pessoais, as quais acionam a maneira que compreende o mundo, de como trata suas questões emocionais, como se comporta e como estabelece suas relações interpessoais, sendo estas formas devido as suas crenças pessoais, suas experiências emocionais, além das questões biológicas, que interagem e fornecem quem ele é (ou pode estar sendo) neste determinado momento.

Maus tratos, abusos de ordem física ou sexual, violência doméstica, doenças físicas, pertencimento a um grupo de exclusão social, detentor doutros transtornos de personalidade, ter transtornos como alimentares, de ansiedade, de déficit de atenção e de personalidade, histórico familiar de depressão, estresse, perda de pessoas ou coisas que tinha grande vínculo e dependência, período pré-menstrual, solidão, menopausa, dividas, velhice, desemprego, mudança de perspectiva diante da idade, pós-parto, preconceito, falta de autoaceitação, rigidez ou negligência e omissão na educação, abandono físico ou emocional da família, entre outras possibilidades, podem ser mecanismos acionantes da depressão.

Existem causas Endógenas e exógenas, além dos fatores psicológicos, diante de uma depressão. Enquanto causas orgânicas (endógenas), podemos ter a baixa de nutrientes no organismos responsáveis pela síntese dos neurotransmissores, principalmente de aminoácidos e vitaminas do complexo B, sendo que esta deficiência a nível nutricional pode ser analisada melhor através da medicina ortomolecular.

Também pode estar ocorrendo alterações hormonais, como no funcionamento das glândulas da tireoide, assim como nos hormônios sexuais, nos Suprarrenais, níveis elevados de cortisol (estresse).

A depressão pode ser acionada, em algumas pessoas, por aspectos climáticos (sazonais), mediante do período de queda de luminosidade.

Outros casos podem ocorrer devido a lesões cerebrais, ocorrendo então desequilíbrio neuroquímico diante da neurotransmissão.

Existem aspectos genéticos, tanto que filhos, de pai ou mãe depressivos, tem 3 vezes mais chance que as demais pessoas a terem depressão, as quais aumentam quando ambos os pais tenham a doença.

Existe a questão predisposição genética que pode influenciar, como vemos em casos de gêmeos idênticos, os quais têm 60% de chance de ambos terem depressão quando predispostos a tal, sendo de apenas 20% entre gêmeos fraternos na mesma condição de pré-disponibilidade genética.

Destaco aqui que mulheres tem o dobro de chances de se tornarem deprimidas do que os homens, e isso pode se dar por questões hormonais, por pressão social diferentemente sofrida entre os gêneros, por questão cultural onde os homens ainda são doutrinados a não aceitarem ou suportarem a dor e de não falarem de si mesmos, os quais são educados para serem protetores, e com frases como “homem não chora”, “isso é coisa de mulher”, etc…

Além de homens usarem de canais de expurgo, como agressividade, raiva e etc, mais facilmente que as mulheres, amenizando ou disfarçando os sintomas.

A depressão pode ser acionada pelo uso de substâncias químicas (drogas, álcool e cigarro), assim como, devido à depressão, venha ocorrer o uso abusivo destas substâncias, pois estes atos estão envolvidas em questões emocionais com forte fatores biopsicossociais.

O uso de alguns remédios podem provocar sintomas de depressão, sendo necessária cautela no diagnóstico do paciente como depressivo, e de tratar de depressão, quando de fato não é em si mesma a fonte do mal.

Alguns medicamentos que podem provocar depressão são: remédios para ansiedade, medicação para pressão alta, tranquilizantes, anticoncepcionais, sedativos, pílulas para dormir, anticonvulsivos, pílulas para emagrecimento, medicamento para tratamento de câncer, esteroides, anti-histamínicos, diuréticos, broncodilatadores, antibióticos, antipsicóticos, anti-inflamatórios, etc.

Entendemos que a atividade cerebral ocorre através da estimulação neuronal diante dos impulsos nervosos, os quais percorrem o axônio em direção aos botões axônicos que vem a estimular a secreção de substâncias químicas que estimulam ou inibem a ação neuronal dos neurotransmissores.

Ao analisarmos a fisiopatologia desta doença, podemos ver a ocorrência de falha na transmissão sináptica, onde neurônios pós-sinápticos não disparam o impulso elétrico responsável por continuar a transmissão, sendo que isso pode ocorrer por agentes bloqueadores, por neurônios inibidores, ínfima sensibilidade a nível neuronal e de sítios receptores, ou ainda a baixa da quantidade de neurotransmissores nas sinapses.

A depressão pode ter origem em fatores genéticos que promovem a baixa produção de neurotransmissores, aspectos psicológicos, estresse, além de emoções e linhas de pensamentos que favoreçam alterações no campo fisiológico.

No transtorno depressivo ocorre uma alteração nos componentes que fazem parte do processo de transmissão do estímulo nervoso, tanto que, em muitos casos, faz-se necessário tratamentos farmacológicos.

Temos tido ainda imensas dificuldades em entender os reflexos de nossos processos psíquicos, como os de caráter emocional e físico. Ainda temos tido mais olhares para o mundo externo, pois o interno pode ser assustador para alguns, assim acabamos buscando meios de justiçar e de curar externamente nossos pesares internos.

Quando se encontra em depressão, o ser humano se sente num profundo e escuro poço em que, ao olhar para cima, até percebe a saída através da luz, mas a trajetória até lá não é nada empolgante e encorajadora para a pessoa, quando não deveras assustadora ou inacreditável para ele alcançar.

Por isso se faz necessária a paciência e presença ímpar de amigos, familiares e profissionais que o auxiliem nesta busca em restabelecer o equilíbrio emocional, para que se afaste do isolamento social, do desânimo, da falta de interesse por questões que antes eram importantes para ele, retornar a energia vital que move a vida a circula em seu ser e que dá sentido de estar vivo, mas isso sem pressão, no tempo do paciente.

Tristeza é diferente de depressão. Na tristeza temos uma adaptação e elaboração de alguma experiência desagradável consciente e fatual, que pode durar até dois meses tal luto.

Na depressão a intensidade do sofrimento é maior, podendo levar até anos mergulhado em desvalorização pessoal e da vida, angústia, falta de motivação, ocorrendo um quadro sintomático em áreas do pensamento/cognição, do humor, vida social, expressões corporais, além das questões somáticas, cujas causas geralmente não são conscientes e muitas vezem nem acionados por algo real de fato.

O agente deprimido tem, em muitos dos casos, imensa resistência em aceitar que precisa de ajuda e que, até mesmo, esteja doente, pois ao se reconhecer enquanto doente, teme mostrar ao mundo que tem fragilidade e fraqueza, além de ter receio de danificar uma imagem que quer preservar diante do contexto social.

Alguns até se tornam excessivamente brincalhões e passam a ser admirados pelos demais como exemplo de que sabe viver, mas esta máscara exige um dispêndio de enorme energia, chegando num momento que não consegue mais ou usa subterfúgios para suportar, como uso de drogas e afins.

Alguns acabam escolhendo profissão que usa para suplantar a dor, como de humorista. Outro problema agravante de querer ajudar alguém em depressão é que ele geralmente se isola e, ao ser indagado sobre sua situação, fecha-se ou a nega, mesmo diante de toda e qualquer evidência, mas escolhe o: “deixe-me aqui quieto”.

Vale aqui destacar que pode existir no depressivo a vontade de se manter com o transtorno, ficando vinculado à situação ruim, e isso se dá por alguns deles se sentirem cuidados, amados, notados, centro de atenção maior do outro, especiais e etc., ocorrendo assim ganhos secundários com a doença, principalmente aos emocionalmente dependentes.

Muitas vezes ocorre o que chamamos de GOZO NO SINTOMA, sendo a doença uma ferramenta de geração de prazer, de que carecia até então. Por isso é importante sinalizar outras possibilidades de prazer e satisfação maiores diante doutras ferramentas.

É preciso ser detentor de grande vínculo emocional com o deprimido para poder chegar perto dele e o ajudar a vencer a resistência de que é detentor. Ele precisa se sentir respeitado, seguro, compreendido, acolhido afetivamente, não julgado e penalizado, não ameaçado e nem agredido pelo olhar e fala do outro.

Enquanto fator de risco, a depressão pode acionar outros problemas, como abuso de drogas lícitas ou ilícitas, doenças cardíacas, derrame, diabetes, transtornos de ansiedade, experiência sexuais perigosas, além de suicídio, sendo este um risco deveras significativo diante do quadro sintomático, ocorrendo entre 10% e 15% das vezes, e com índices maiores aos que estão entre 15 e 44 anos de idade, com destaque as questões decorrentes da transição entre adolescência e fase adulta, e ainda, entre a meia idade e a velhice, e ente homens, pois os métodos usados por estes geralmente chegam ao intento por serem mais violentos (arma de fogo, jogar-se de um prédio, etc.) do que entre as mulheres que costumam usar métodos que falham mais (cortas os pulsos, tomar dose excessiva de remédios, etc).

Um dos maiores fardos que carrega um ser humano deprimido, é ter que continuar a viver mesmo não conseguindo ver mais nada que o incentive a esse respeito, e muito menos possibilidade de que algo possa melhorar, pois está sobre uma acentuada desvitalização mental e energética, e do próprio corpo, em consequência. Muitas vezes esta se sentindo afogando e perdendo a vida, mesmo que, para nós, vemos que está apenas numa pequena poça de água, mas para ele se trata de um perigoso e turbulento oceano que o sufoca, sem ter onde se apoiar, sem esperanças de sobreviver.

Não existe uma fórmula pronta, e muito menos mágica, para ajudar alguém com depressão, pois cada caso é particular, mas existem possibilidades que  podemos ampliar para a melhoria da maioria dos casos. Busque dar incentivo de alguma forma (não adianta dizer que a vida é bela, mas ofereça situações que a pessoa se sinta incentivada a viver e a fortaleça reforçando este ato); respeite o tempo e o espaço da pessoa, não se atropelando diante do desespero de ajudá-la; não tente fazer o que ela precisa fazer por ela mesma, pois ninguém pode melhorar só porque o outro quer, sendo que cada qual precisa encontrar em si mesmo motivos para viver; não exija qualquer prova de melhora; incentivar, mas não obrigar, e muito menos colocar como única solução, a busca de questões espiritualistas (não necessariamente uma religião); deixar claro a alternativa de tratamento psicológico como uma boa opção, mas dentro do tempo e querer do deprimido; não incentivar o uso de pílulas milagrosas da psiquiatria somente, pois estas geralmente apenas maquiam uma melhora se não tiver acompanhamento psicológico ou outro); ouvir mais do que comentar quando tratar a respeito da doença com a pessoa; nunca questione ou pressione a pessoa se ela disser que não consegue falar a respeito; ofereça energia radiante, pois somos seres de energia; não busque culpados, e muito menos culpe a pessoa pelo seu estado, pois ela já tem culpa demais que coloca sobre ela mesma; não desista de oferecer momentos diferentes, pois uma hora ela toma coragem e experimenta; mesmo sendo tratado grosseiramente pelo depressivo ao estender a mão, não desista de fazê-lo depois de um tempo pois ele provavelmente não deseja te ofender, mas está apenas se defendendo do que sente como ameaça e que aumente sua dor; respeite, e se não tiver condições de ajudar a pessoa, pelo menos não a atrapalhe mais, promovendo mais dor do que ela já é detentora, sendo que, muitas das vezes, é melhor algumas pessoas se afastarem, que ajudam mais desta maneira diante do que podem ser e representar sobre suas presenças, chegando a ser ameaçadoras. Depressão não é frescura e nem doença da moda, é algo sério, demasiadamente sério para não ser dado o devido respeito ao ser acometido por ela.

É preciso ser amado, amar-se e amar, que parece ser algo tão simples e como se bastasse querer, mas é algo muito mais difícil do que podemos anuir como tal para algumas pessoas diante da história de vida delas e de suas diversas questões, inclusive estrutura física.

Por isso não se busca julgar, seja quem for, por não se sentir amado (mesmo sendo tão amado pelos seus), por não conseguir se amar (mesmo parecendo ser uma pessoa tão interessante para o mundo) e muito menos por não saber amar o próximo (que provavelmente é uma defesa pessoal diante de sua dor ou de não querer compartilhar a própria dor com o outro para não prejudicá-lo e se sentir mais culpado ainda por isso também).

As pessoas precisam se sentir aceitas como são, ou como estão podendo ser em determinado momento, e não de juízes, e muito menos de condenações, pois já basta as penalidades pesadas que elas mesmas costumam dar para si mesmas, mesmo sem o mundo as condenar.

Ao mundo, cabe o acolhimento, respeito a história do outro, e o apoio possível naquele determinado momento, e que ninguém meça as dificuldades alheias com mede as suas, pois cada qual tem uma estrutura particularmente individualíssima de ser e agir.

(conteúdo trabalhado em minha palestra EM BUSCA DE SI MESMO)

SOBRE O ESCRITOR DESTE ARTIGO: CARLOS ALBERTO HANG é escritor com 7 livros escritos, jornalista (03991/SC) desde 1994, psicólogo, com mestrado e doutorado, International Master Premium em Hipnose Clínica (Universidade Brasileira de Hipnose), Master PNL Practitioner (Programação Neurolinguística) reconhecido internacionalmente pela NLPEA Association of Excellence/EUA, também formado em Filosofia, História, Letras, Teologia; pós-graduado/especialista em Psicologia do Esporte, em Psicopedagogia, em Hipnose Clínica e em Ciências da Religião;  formação também em Sexualidade Humana, Gestão de Pessoas, Psicanálise, Hipnose Transformacional, Psicologia Clínica e Comportamental, Terapia Cognitivo Comportamental, Psicologia Organizacional, Diagnóstico e Intervenção Psicopedagógicos, Taxicologia, Coaching & Mentoring, Inteligência Emocional, Física Quântica, Recursos Humanos, Jornalismo Digital, Jornalismo Esportivo, Telejornalismo, Logística, Adm. de Hotéis, Gestão de Eventos, Turismo de Eventos, Relações Internacionais, Saúde Mental & Dependência Química, Gestão na Administração Pública, Ciência Política, Política Contemporânea, Gestão de Conflitos, Empreendedorismo, Piano, Linguagem Musical, História da Música; Inglês, Italiano, Espanhol e Francês; é Embaixador pela Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix (Genebra/Suíça), é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo, e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de MG na cadeira 148.  INSTAGRAM: @carlosalbertohang  TWITTER: @hangjornalista PARLER: @Carlosalbertohang  TELEGRAM: @carlosalbertohang FACEBOOK: @opiniaodeumlivrepensadorbyHANG

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