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Clínico geral do Sistema Hapvida alerta para os riscos da automedicação

março 11, 2022
Clínico geral do Sistema Hapvida alerta para os riscos da automedicação
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Clínico geral do Sistema Hapvida alerta para os riscos da automedicação

Conforme pesquisa do ICTQ (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico), 40% dos pacientes fazem o autodiagnostico e automedicação baseados em informações obtidas pela internet. “Um sintoma como a febre, por exemplo, tem relação com, no mínimo, com umas 40 doenças. Como você vai poder se diagnosticar só pesquisando por febre?”, alerta Eduardo Burg, clínico geral.

 

 

A automedicação, embora vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer outros problemas e consequências mais graves como reações alérgicas, dependência, intoxicação e até morte. Confira na entrevista abaixo a opinião do clínico geral sobre esse arriscado comportamento:

Quando o uso de medicamento não é seguro e nem responsável?
A medicação por conta própria já virou um problema mundial de saúde pública. Percebo um aumento gradativo em casos de pacientes que começaram a tomar uma medicação por indicação de alguém que fez uso e se sentiu bem, mas cada organismo responde de uma forma diferente. A medicação é indicada para um tipo de paciente, considerando fatores como peso, raça e cor.

As consequências da automedicação podem ser ainda mais graves em gestantes, lactantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas?

As grávidas precisam tomar muito cuidado, principalmente até a 12ª semana de gestação, pois poucas medicações são seguras nessa fase. As lactantes também precisam ficar atentas, pois há a questão de transmissão para o leite. Qualquer medicação tem que ter um aconselhamento médico para não ocasionar sérios problemas para a criança.

 

Falando nelas, atendemos muitas com reações alérgicas por terem tomado medicação de adulto ou que os pais quebraram no meio a medicação e deram acreditando que se o adulto toma inteira, a criança vai tomar a metade. Não funciona assim.

Existe uma dose a ser calculada que leva em consideração fatores como peso e idade. Há aquelas que só podem ser prescritas a partir de dois anos. Nos casos de pacientes renais crônicos, hipertensos e diabéticos, o uso de anti-inflamatórios podem piorar significativamente a função renal.

Tem também o caminho contrário, daquela pessoa que quando começa a se sentir bem, ou que não vê efeitos imediatos, abandona um tratamento prescrito pelo médico. Qual é o risco disso?

Algumas doenças crônicas, como a hipertensão e a diabetes, são silenciosas, inicialmente não apresentam sintomas, mas com o passar do tempo aumenta o risco de um AVC ou de um infarto agudo do miocárdio. Os médicos pensam na questão preventiva, recomendam o correto uso da medicação para regular a pressão e diabetes, mas, às vezes a pessoa não sente nenhum efeito da medicação e abandona. É preciso lembrar que a medicação demora um certo tempo para agir. Uma febre, por exemplo, pode se manter por 48 horas, mesmo após o início do uso do antibiótico. Realmente tem que aguardar, repousar e ingerir bastante líquido.

 

Como conscientizar as pessoas que, mesmo sem ter o conhecimento necessário, têm o hábito de recomendar medicações para os outros?

As medicações usadas de uma forma correta já ocasionam efeitos colaterais e apresentam riscos de reações adversas, imagina indicar sem ter o conhecimento prévio do quadro do paciente. E se ele tem alguma doença crônica? E se uma criança faz uso de uma medicação que você recomendou, tem uma reação, um choque anafilático, uma reação alérgica grave, ou uma insuficiência hepática?

Como você vai se sentir?
É sempre necessário procurar um profissional adequado para avaliar qual é a medicação. No pronto socorro, por exemplo, o uso da medicação é assistido, o paciente fica em observação. Dependendo do tipo, ficamos 30 minutos aguardando para verificar se não ocorre nenhum efeito colateral, reação alérgica ou algo do gênero, isso com toda a estrutura de um centro hospitalar.

A interação de medicamentos com bebidas alcoólicas também é um fator de risco a ser avaliado?
A bebida alcoólica combinada ao uso de calmantes, por exemplo, pode levar à insuficiência respiratória aguda e ao coma. No caso de anticonvulsivantes, diminui a ação da medicação e aumenta o risco de crises epilépticas. Para anti-inflamatórios, ocasiona um maior risco de sangramento na região do estômago e de úlcera. Existem alguns relatos até de que a combinação com o paracetamol pode ocasionar hepatite fulminante.

Qual é a importância do papel do farmacêutico?
O farmacêutico pode avaliar se a medicação prescrita não está fazendo efeito e orientar a procurar ajuda, trabalhando em conjunto com o médico. A atuação é errônea quando esse profissional recomenda medicação empiricamente, sem analisar sem fazer um exame clínico no paciente e sem o uso de exames laboratoriais. Nenhum outro profissional além do médico pode fazer o diagnóstico e prescrever medicações, principalmente antibióticas.

Como deve ser feito o descarte de medicamentos?
É importante estar atento à validade dos produtos e, quando vencerem, fazer o descarte em unidades básicas de saúde, farmácias e hospitais. Se você jogar a medicação no lixo, crianças, moradores de rua ou animais podem ter acesso e, consequentemente, sofrer as consequências de tomar uma medicação fora da data de validade e que foram prescritas para outro tipo de organismo.

Clínico geral do Sistema Hapvida alerta para os riscos da automedicação

 

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