Sabado, 13/08/2022
Joinville - SC

CEPE completa 20 anos contribuindo para o desenvolvimento do esporte e políticas públicas

agosto 4, 2022
CEPE completa 20 anos contribuindo para o desenvolvimento do esporte e políticas públicas
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O CEPE – Centro Esportivo Para Pessoas Especiais é uma ONG que representa um marco do esporte paralímpico no estado catarinense celebra no dia de hoje 20 anos de atuação.

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Nasceu de da inquietação de duas professoras de educação física, Ana Teixeira e Sonia Ribeiro, com proposta nova que surgiu como reflexão para a condução do paradesporto em Joinville.

Ana era uma atleta do basquetebol convencional, em meados dos anos 90 iniciou sua carreira como técnica do basquetebol em cadeira de rodas e Sonia iniciando seus estudos na área de classificadora funcional. Ambas tiveram a oportunidade de percorrer por alguns anos o Brasil e outros países através de intercâmbios ou acompanhando competições paradesportivas.

Do sonho de fazer a diferença, fundaram por um breve período um projeto pessoal chamado “Novo Rumo” que foi o pontapé inicial para uma proposta inovadora no estado, criando no ano de 2002 o primeiro Clube de Esportes Paralímpicos de Santa Catarina, dando origem a ONG CEPE.

“Observamos a carência de espaços voltados a prática de esporte para pessoas com deficiência física na cidade de Joinville, incentivando e coordenando um grupo de associados, onde estes pudessem, independente da limitação física, encontrar no esporte um elemento motivador, e consequentemente superar diversos obstáculos impostos, muitas vezes pela sociedade que não está preparada para atender as diferenças”, explica Ana.

O basquete em cadeira de rodas foi a primeira modalidade desenvolvida pelo CEPE, a partir do basquete outros esportes foram estruturados. Paralelamente, o clube tornou-se um espaço para profissionalização do esporte paralímpico e contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao paradesporto no município de Joinville.

“O CEPE é movido por desafios constantes e por mais desafiadores que estes sejam “desistir” nunca foi uma opção, chegar aos 20 anos nos dá muito orgulho, uma vez que o CEPE é atualmente uma instituição reconhecida no cenário municipal, estadual e nacional do paradesporto.

Temos a convicção de que o apoio daqueles que acreditaram e acreditam no nosso trabalho foi fundamental. Deste modo a gratidão é um sentimento que nos acompanha. Quando olhamos a jornada percorrida sentimos orgulho do trabalho realizado, trabalho este sustentado na responsabilidade e profissionalismo do grupo que caminha conosco”, celebra Ana.

Números que impressionam
Nesses 20 anos, mais de 650 associados, voluntários e profissionais compõem a história do CEPE. A entidade já participou de mais de 400 competições esportivas em âmbitos municipais estaduais, nacionais e internacionais. Já realizou mais de 200 palestras em instituições de ensino e de empresas públicas e privadas de Joinville.

Em ações educativas, impactou mais de 59 mil alunos por ações educativas.

Outro número que impressiona é o das convocações: 168 convocações de representantes em seleções catarinenses e seleções brasileiras de jovens e adultos.

Possui registro em Conselhos Municipais e é pelo Ministério da Cidadania. Reconhecida com 13 moções honrosas na câmara de vereadores de Joinville e Assembleia Legislativa de Santa Catarina, bem como foi chancelada como utilidade pública municipal e estadual. É filiada ao Comitê Paralímpico Brasileiro e as Confederações Esportivas Nacionais, Federações e Estaduais.

“Que o clube CEPE seja uma referência quando falarmos em Esporte Paralímpico, que seja um agente transformador de vidas e de sonhos, que as nossas ações possam impactar mudar o conceito de sociedade que ela seja mais inclusiva. Que o esporte paralímpico e cidade trabalhem juntas pois precisamos de espaços acessíveis, calçadas, escolas, ginásios e transportes.

O desafio de uma cidade inclusiva passa, de antemão, pela compreensão do conceito de acessibilidade e a mudança do olhar sobre a questão. “Acessibilidade é mais do que o desenho urbano. Cidade acessível é aquela em que todas as pessoas podem viver, onde homens e mulheres têm os mesmos direitos.

Os obstáculos nossos atletas superam todos os dias, nas pistas, quadras, piscinas, campos e ginásios nós preparamos pessoas, sonhos, que as marcas alcançadas, que os saltos, arremessos, lançamentos, gols, braçadas e batidas, que os coloridos das bolas cheguem mais perto da bola branca e que o último segundo na quadra seja um trabalho em equipe para a busca do objetivo.

Nós sabemos que nem todos serão campeões no esporte, mas acreditamos que todos independente de suas limitações físicas poderão ser campeões na vida. É isso que nós fazemos transformamos vidas através do esporte”, ressalta Sérgio da Silva, presidente do CEPE.

 Desafios no percurso
Os principais desafios enfrentados nessa trajetória:
– Formação de recursos humanos;
– Recursos financeiros para estruturação do projeto;
– Dar mais visibilidade para cultura do paradesporto descolado da visão de incapacidade PCD pessoa com deficiência  que ainda persiste na sociedade;
– Aquisição de materiais específicos;
– Sensibilização para a criação de políticas publicas.

Projetos futuros
Para o futuro, a entidade tem alguns desafios:
– ampliar o número de paratletas;
– fortalecer e ampliar as ações e sustentabilidade dos projetos existentes;
– expandir as parcerias públicas e privadas;
– fortalecer a cultura paradesportiva na cidade;
– ampliar a escolinha de esportes.

“Estar à frente de um Clube como o CEPE é pensar no hoje com o olhar para o amanhã é buscar parcerias, patrocinadores, autonomia financeira, é fazer o clube cada vez mais forte e sólido, transformando sonhos de 95 pessoas entre associados, profissionais e voluntário. Temos 68 atletas e 16 crianças no projeto Cepinho, além de, indiretamente, suas famílias.

Acreditamos que as ações práticas da experimentação, do se colocar no lugar do outro você abre as portas ao respeito, entendendo as suas diferenças. E nesses 20 anos tivemos apoio de familiares, amigos, apoiadores, patrocinadores, legislativo, executivo e principalmente a vocês atletas, técnicos, coordenação técnica, conselho consultivo e diretoria que possamos formar cidadãos transformando e impactando vidas através do esporte”, comemora o presidente do CEPE.

“Ao olhar pro passado e ver tudo que o CEPE realizou, o sentimento é de realização, que conseguimos atingir as metas estabelecidas inicialmente de desenvolver e divulgar o esporte para pessoas com deficiência física visando sua autonomia e exercício da cidadania, oportunizando uma área de trabalho para profissionais qualificados que possam e ser um centro de referência no desenvolvimento e divulgação do esporte para pessoas com deficiência física, na capacitação profissional e ser um agente integrador entre a comunidade e esporte adaptado.

O sentimento é de orgulho por vencermos um desafio de sermos pioneiros e inovadores , por hoje sermos referência a nível estadual e nacional e na concepção da idéia e criação do sonho, do projeto não tínhamos onde buscar intercâmbio ou referências no estado”, finaliza Ana Teixeira.

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