Sexta, 24/09/2021
Joinville - SC
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Ao analisarmos o mundo do esporte na atualidade, não temos mais como contemplá-lo sem o viés da PSICOLOGIA DO ESPORTE diante da base que aciona o desempenho dos atletas, bem como equipe de treinamento e afins.

PSICOLOGIA DO ESPORTE & ATLETAS PROFISSIONAIS DE FATO EM DIREÇÃO À VITÓRIA

 

Num PODHIUM, o que realmente vem a diferenciar o primeiro lugar dos demais, é a estrutura psicológica do esportista, com a qual tem capacidade de gerir suas emoções e lidar adequadamente com suas perspectivas pessoais, do seu grupo e do público, mantendo seu nível de motivação ideal para que tenha um excelente desempenho e usando a pressão e estresse gerado pela competição como ferramenta seu favor.

Atletas e clubes esportivos que rompem com a ferramenta da psicologia na formação esportiva, ficam a mercê da boa sorte e não do profissionalismo como é visto atualmente. Divorciar-se da psicologia é tão aberrante quanto negar a tecnologia, a física e a química no preparo dos esportistas. Um corpo diretivo ou presidente de uma instituição esportiva que esquece ou nega o valor do trabalho de psicologia na formação de seus atletas, está perdido em décadas atrás e fadado ao fracasso provável.

Tanto a tecnologia, quanto a psicologia, são engrenagens ímpares para se alcançar ou chegar mais perto da vitória desejada. O pai do vôlei, numa de suas palestras, deixa bem claro que o condicionamento físico, talento e afins, representam apenas 30% de uma possível vitória, pois é da psicologia aplicada e da estrutura psicológica do esportista, os 70% responsáveis pelo sucesso conquistado.

A importância do trabalho da PSICOLOGIA DO ESPORTE é evidente para a mente mais simplória, mas vamos explicar o que ocorre. Digamos que tenhamos um lutador talentosíssimo, com excelente preparado físico e treinos comprometidos com o ideal de um vitorioso, além de uma saúde física perfeita. Mas na hora da luta (e mesmo durante o tempo de seu preparo), se não tem uma estrutura psicológica a contento, tende a fracassar e perder até mesmo de um outro detentor de menor talento e de ínfimo comprometimento com o próprio esporte, mas que sabe lidar com estresse a seu favor, com tensão, seguro diante de decisões a tomar (principalmente em momentos surpresas) e consegue alimentar e alinhavar seu foco no que realmente importa no momento em que diz respeito a isso.

Os melhores atletas do mundo, seja em que categoria esportiva for, são preparados com muita tecnologia, física e com psicologia de ponta, sendo estes os movimentos que farão a diferença na hora de competir com aqueles que não dão muita atenção para estas ferramentas de treino ou nem as conhecem, tendo somente foco na educação física, condicionamento do corpo e conhecimento de técnica de atuação, como se o ser humano fosse um robô.

A preparação psicológica deve ocorrer de forma natural, assim como ocorre com o trabalho da preparação física, técnica e tática. Atletas e instituições afins que ainda não sintonizaram a psicologia como pedra angular diante doutras para o bom futuro esportivo, estão fadados à falência, ao esquecimento e, de supostos profissionais (pois não tem como ser considerado profissional quem atualmente não tem a psicologia e a tecnologia  na formação dos atletas), para amadores, desfocados da realidade do mercado e da evolução do esporte no decorrer das últimas décadas até.

A relação do motricista esportivo (treinador) com seus atletas, e vice versa, precisa ser mapeada por uma análise técnica do psicolólogo, trabalhando os aspectos de liderança e suas nuances acionárias para situar cada elemento desta dinâmica relacional a contento.

A intervenção psicológica deve estar atuante nos treinamentos, jogos, formação de atletas, competições, viagens competitivas, e no que diz respeito tanto ao lado coletivo relacional, quanto no âmbito individual, com suas demandas acionárias, tendo um local de escuta formativa e confiável, promovendo otimização da eficácia acionária dos atletas e do clube.

Os clubes futebolísticos (que assim realmente merecem serem nomeados no século 21) têm compreendido que devem suplantar a visão tecnicista através da associação de uma abordagem humanística, se querem realmente galgar degraus mais elevados na corrida pela vitória, ou pelo menos num desempenho de destaque, que não se dá somente com a taça de campeão, mas com a superação da situação atual apresentada. Patético é ouvir dizer que o próprio técnico faz o papel de psicólogo do time, podendo auxiliar sim, mas nem de perto é promove trabalho que um psicólogo do esporte de verdade desempenha, assim como um psicólogo do esporte pode auxiliar o técnico, mas nunca o substituir.

Existe um vocábulo principal no contexto esportivo: DESTAQUE, o qual é importante para todos os elementos envolvidos, seja do grupo de atletas, dos técnicos, do empresariado, do presidente do clube, assim como dos torcedores, e não existe mais destaque sem as ferramentas adequadas que promovem tal feito.

As categorias de base precisam deste apoio também, principalmente numa forma de “substituição” das imagens familiares distantes na maioria das vezes, até mesmo ajudando aqueles jovens a descobrirem seus verdadeiros desejos e, muitas das vezes, não desperdiçando investimento do clube sobre o que não dará os devidos frutos esperados.

O psicólogo e sua equipe não podem servir também como bode expiatório, ou terem depositado em si mesmos a responsabilidade pela atuação do grupo trabalhado, nem mesmo servir de ponte de informações de caráter intimo entre jogadores e comissão técnica e diretoria e imprensa, pois existe a ética e sigilo do profissional em atuação, que usa as informações adequadamente para o benefício de todos os elementos envolvidos.

O ser humano é um ser neuro-psico-sócio-histórico-espiritual, e como tal deve ser tratado e trabalho para sua melhor eficácia, se assim queremos alcançar melhores resultados, seja no esporte ou em qualquer outra profissão, e sobre isso os grandes empresários de fato, já estão compreendendo e colhendo melhores resultados com esta visão atual e investindo pesado em profissionais da psicologia em sua equipe de trabalho.

Dentro do labor do psicólogo encontra-se: promover mediação de conflitos, seja entre si mesmo ou entre o atleta com os demais esportistas ou entre equipe, torcida e afins; assessorar o técnico e sua equipe referente ao trato com os atletas; observar treinos diários e campeonatos em viagens buscando entender melhor a dinâmica; sinalizar a comissão técnica ações preocupantes ou o que possa melhorar; analisar o rendimento individual do atleta e sua atuação em equipe; local de escuta individual, atendendo jogadores, comissão técnica e até mesmo familiares de atletas quando convier; análise e encaminhamento para tratamento psicológico quando necessário; favorecimento relacional de novos atletas, sejam profissionais, sejam de base; auxiliar treinador no reconhecimento das individualidades de seus atletas e possível aproveitamento maior das características de casa qual, associadas ao coletivo em aproveitamento maior;  auxiliar no entendimento do que ocorre no clube, no grupo de jogadores, na comissão técnica, na relação imprensa, com os torcedores, diante de vitórias e derrotas, comportamentos em campo e também no contexto individual quando evoca transtorno para o trabalho profissional; auxiliar o treinador com o reconhecimento de características da subjetividade de cada atleta, bem como de suas dificuldades ou facilidades de trabalhar em grupo ou em dada posição;  promoção de palestras motivacionais, de entendimento humano, cursos de liderança, autoridade e poder, conferências sobre autoestima, palestra sobre criatividade e de trabalho em equipe, etc; dinâmicas de grupo com o intuito de maior integração, desenvoltura social e reconhecimento de si mesmo e de suas demandas e dificuldades relacionais; trabalhar com os resultados dos jogos para que se tente evitar o abatimento pela derrota ou euforia pela vitória quando estendidas em demasia, pois em ambas as formas ocorre queda de produtividade. Além do mais, não se avalia o nível de um grupo por resultados esporádicos ou de caráter pontual.

A psicologia é ciência e o psicólogo não é detentor de uma bola de cristal, por isso suas análises são técnicas. Vou dar meu exemplo sobre a análise que fazia por anos do JEC, o qual representa a terceira maior cidade do sul do Brasil, e o qual fora, muito e muito tempo atrás (muitos nem eram nascidos ainda) grande campeão, mas não vivemos de passado, e as vitórias do passado não conquistam as atuais. Quando o JEC passava da série B para a A, eu escrevi na época artigos falando da grande possibilidade de decaída do time ao adentrar na série A, até mesmo pela estrutura e condição que vencera a séria B daquele ano. E, infelizmente, eu tinha razão, sendo um grande vexame a nível nacional e, dali em diante, foi como eu tivera dito, que ele cairia como nunca e dificilmente levantaria, e isso se daria devido ao tipo de atuação do clube naqueles anos anteriores, onde o foco estava numa mídia alienatória em primazia, em erros maquiados, em vitórias comemoradas e não conquistas como tais e afins. Atualmente temos um time no fundo do poço, sem representatividade, onde as camisas do time ficaram no guarda-roupa do torcedor envergonhado ou desestimulado ou ainda desacreditado. Vemos muitos “comentaristas” alimentando ainda grandes esperanças para além das possibilidades reais, pois misturam o que um comentarista nunca poderia fazer, seus comentários, enquanto norteadores de opiniões, com sua paixão pelo time, que os cega diante da realidade factual. Mas nós não analisamos romanceados e nem apaixonados, mas através de técnicas, da ciência, de análise e evidências de acordo com tal linha de pensamento. Quando um time permanece muito tempo como sinônimo de fracasso, ocorre uma ruptura com a crença real de mudança, mesmo que esteja ela no discurso pronto. Tanto que pode-se contratar o melhor dos melhores esportistas, que provavelmente logo ele estará imerso na mesma atmosfera decadente, salvo se for feito imenso e extenso trabalho de reestruturação desta base, que lhes garanto que não é boa vontade e muito menos ‘bruxaria’ que faria este papel, mas a ciência.

Vale destacar que não adianta ter um psicólogo que não for devidamente preparado em sua estrutura para atuar com esportes, pois a maioria promove o engodo de palestras motivacionais e afins de “faz de conta que estou fazendo minha parte”. Não se pode contratar amigos, profissionais bons por salários baixos e etc, e muito menos em permuta ou gratuito, pois times de futebol e demais esportistas, não são entidades sem fins lucrativos e nem instituições beneficentes para isso. E um profissional que se submete a isso não tem valor, nem respeito a sua formação, e muito menos aos demais confrades de profissão. Se se quer um trabalho com reais possibilidades de bons resultados, paguem bem por isso, pois não adianta ter um psicólogo na equipe e que isso bastará por si. E caso o atleta ou time não está disposto a investir, é que ele não acredita no trabalho dele mesmo e nem tem perfil profissional para competir entre os profissionais de fato. É como a falta de maturidade de um empresário que está com dificuldades financeiras e, a primeira besteira que faz é cortar a verba de mídia, confirmando sua possível derrota desta maneira, e seu amadorismo enquanto empreendedor que se julga ser.

Psicólogo do esporte não é o salvador da pátria e nem pode garantir a vitória ou destaque do atleta, pois ele é apenas uma engrenagem necessária para tudo isso, mesmo sendo uma das mais importantes do grupo de preparo do atleta e da própria equipe. Eis como o esporte está definindo quem de fato é profissional na área esportiva, mesmo que até mesmo os amadores usam dos trabalhos do psicólogo do esporte em suas carreiras. Um atleta ou um time esportivo sem um bom e bem pago psicólogo do esporte, precisa urgente se atualizar e rever suas diretrizes e foco.

Um time de futebol, um lutador, um surfista, um skatista, um nadador, um ginasta, um tenista, um jogador de basquete ou de vôlei, entre toda e qualquer modalidade esportiva que se considera ou deseja ser considerado profissional, não poderá vir a assim ser sem um psicólogo em seu quadro de técnicos de sua formação esportista.

(by CARLOS ALBERTO HANG, jornalista (003991/SC), psicólogo e escritor)

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