Segunda, 23/05/2022
Joinville - SC

Capela de 116 anos volta a receber celebrações religiosas no Hospital São José

abril 28, 2022
Capela de 116 anos volta a receber celebrações religiosas no Hospital São José
Compartilhar
Ouvir publicação

Quando os enfermeiros chegaram no quarto de dona Lúcia ela já estava arrumada, com uma faixa na cabeça, terço no pescoço e um grande sorriso. A paciente foi levada de cadeira de rodas para a Missa de reinauguração da Capela do Hospital Municipal São José.

“Rezo um dia sim e outro também. Sou muito ativa na minha comunidade, toco violão, canto, estou muito feliz aqui, a oração ajuda muito”, conta Lúcia Soares, 63 anos, que trata um linfoma no sistema nervoso central.

Foto: Prefeitura de JoinvilleA capela do hospital existe desde a fundação do prédio, há 116 anos. Sempre recebia celebrações e passou por uma reforma e ficou pronta em dezembro de 2020. Mas, por conta da pandemia, estava fechada. Nesta quinta-feira (28), uma Missa foi celebrada para marcar a reabertura do local.

Grupo de canto, pacientes do setor de oncologia, integrantes da Diocese de Joinville e alguns funcionários participaram. O celebrante foi o Monsenhor Bertino Weber, de 84 anos, que atua há mais de 50 anos na Catedral São Francisco Xavier e já foi condecorado com a Medalha Dona Francisca em função do trabalho social e do envolvimento com a comunidade joinvilense.

“Temos que agradecer a Deus, o esforço do hospital e da diretoria para preparar essa capela, deixar tão bonita como está, acolhedora, um ambiente sadio, tão sagrado onde as pessoas encontram novas forças pedindo oração pelos doentes. Esse é um lugar que não pode faltar em um hospital porque a dor é muito grande”, disse o Monsenhor Bertino.

Na capela do São José, o padre realiza Missas há mais de 40 anos e desde então cumpre o papel de assistente religioso no hospital.

“Essa capela está reformada, nova, mas ela é centenária. Antes de mim quem ocupava esse espaço era o Monsenhor Sebastião Scarzello. Estava esperando muito esse momento, na pandemia não foi fácil”, contou o Monsenhor Bertino.

A aposentada Rosália Huinka trabalhou durante 28 anos no hospital e agora vai ser voluntária durante eventos e Missas. “É uma doação, uma entrega. Os pacientes procuram muito aqui, estávamos ansiosos para voltar”.

A capela, que fica ao lado do setor de Oncologia e tem capacidade para 43 pessoas, recebeu pintura e readequação, os móveis foram restaurados, assim como imagens sacras, o sacrário e o altar que tem mais de 100 anos. As Missas vão voltar a ser realizadas na 2ª e 4ª quintas-feiras de cada mês. A reforma foi feita pela Cúria Diocesana de Joinville, Prefeitura e contou com o apoio de uma instituição de mulheres que conseguiu a doação dos aparelhos de ar condicionado.

A capela fica aberta 24 horas por dia para visitação por qualquer usuário, paciente, acompanhante ou funcionário. “Com a pandemia, a gente tem trabalhado muito a saúde mental dos servidores, pacientes e acompanhantes. Toda maneira que temos para auxiliar no tratamento é de grande valia. Aqui muitas pessoas utilizam como método de cura, fé e crença”, explica o diretor executivo do São José, Fabrício da Rosa.

Manifestações de diversas religiões

As visitas religiosas estão liberadas no Hospital São José desde o dia 1º de abril. “Exigimos a apresentação de uma forma de identificação que comprove que a pessoa representa uma instituição religiosa, pela questão da segurança”, informa Fabrício.

O horário das atividades é entre 8h e 22h. Fora desse horário, apenas em casos excepcionais. As celebrações de outras religiões podem ser realizadas no Memorial do Hospital São José.

Antes da pandemia, voluntários realizavam um culto ecumênico uma vez por mês. Essa celebração também poderá ser retomada, mas a direção do hospital ainda não foi procurada para essa continuidade.

“Todas as atividades foram autorizadas a retomar dentro do hospital. Temos, porém, a questão da segurança sanitária. Exigimos alguns cuidados como o uso de máscara porque a Covid-19 continua e temos que ter essa atenção com os pacientes e equipe”, ressalta Fabrício.

Block