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O projeto prevê a recuperação total da edificação, que é o templo mais antigo de Joinville.

Igreja da Paz da Comunidade Luterana está sendo restaurada

A Igreja da Paz, da Comunidade Luterana de Joinville, uma das mais importantes edificações do patrimônio histórico de Joinville e Santa Catarina, está sendo restaurada. As obras começaram no final de outubro com a recuperação da cobertura do prédio e prosseguem até fevereiro de 2021. A meta agora é continuar a captação de recursos para incluir a substituição do forro, a revisão do sistema elétrico e a reforma da torre da igreja nesta fase das obras.

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Os trabalhos integram a primeira etapa do Projeto de Restauração da Igreja da Paz, que tem o objetivo de restaurar e adequar às normas de acessibilidade e segurança o prédio que começou a ser erguido em 1857, foi finalizado em 1864 e é tombado como patrimônio histórico tanto de Joinville quanto de Santa Catarina. O projeto é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, Ministério do Turismo por meio da Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal, tem o patrocínio da Clamed, Schulz Compressores, Ciser, Catarinense Pharma, Docol, Transtusa, Toyoville, e conta ainda com pessoas físicas como apoiadores.

O projeto arquitetônico é da Ornato Arquitetura e a produção cultural das empresas Cultiva Gestão Criativa e Fazer Cultural. A coordenação geral do projeto é de Álvaro Kieper Filho, presidente da Comunidade Evangélica de Joinville (CEJ) e de Nelson Carlos Steuernagel, presidente da Paróquia da Paz.

O projeto prevê a recuperação total da edificação, que é o templo mais antigo de Joinville.

Situada na rua Princesa Isabel, 438, a Igreja da Paz integra o conjunto arquitetônico da Paróquia da Paz e Colégio Bom Jesus (a antiga Deutsche Schule, construída entre 1866 e 1868), e faz parte do cotidiano da cidade – o soar de seu sino ainda pode ser ouvido a cada hora, marcando o ritmo da vida no centro.

Ao longo de mais de 160 anos, a sua estrutura arquitetônica passou por diversas intervenções e foi ampliada para acompanhar e atender as necessidades da comunidade. Porém, as paredes externas e aberturas da primeira Casa de Oração, inaugurada em 1864, permanecem no local, incorporadas ao atual prédio. Deste templo original, só não está mais presente a parede do altar, demolida em 1960, durante uma ampliação.

A recuperação da cobertura do prédio já está andamento e a previsão é que esteja concluída até fevereiro de 2021. Ela prevê a revisão, recuperação do telhado e impermeabilização das telhas, recuperação das estruturas de madeira, calhas e rufos, instalação de subcobertura.

O projeto total prevê ainda:

  • Substituição do forro
  • Revisão do sistema elétrico, que será readequado para atender as atuais demandas e se adequar às normas de segurança.
  • Passarela de manutenção da cobertura
  • Recomposição dos acessos aos diversos patamares da torre;
  • Adequação do edifício às normas de prevenção de incêndio e acessibilidade;
  • Reconstituição das alvenarias;
  • Recuperação das esquadrias e pisos;
  • Paisagismo do conjunto arquitetônico

“O restauro da Igreja da Paz vai além da recuperação de um patrimônio histórico. Ele representa a continuidade de uma caminhada que foi iniciada em dezembro de 1851 com a celebração do primeiro culto da comunidade evangélica e foi parte fundamental da construção de Joinville em seus quase 170 anos de história.” Álvaro Kieper Filho, presidente da Comunidade Evangélica de Joinville.

“A Igreja da Paz é uma referência, um símbolo para a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana e para Joinville. Ela foi o primeiro templo protestante (como se dizia na época) na cidade, presente desde os primeiros tempos de imigração, e fez parte da formação de gerações de joinvilenses – tanto no sentido religioso, quando no sentido educacional e profissional, pois integra o complexo Paróquia da Paz e Colégio Bom Jesus/Ielusc, a antiga Deutsche Schule.”– Nelson Carlos Steuernagel, presidente da Paróquia da Paz.

“A restauração da Igreja da Paz nos ajuda a manter viva a história de fé de Joinville, uma cidade que cresceu a partir do centro – e cujo centro cresceu ao redor da antiga Casa de Oração. Uma história de trabalho e de louvor a Deus, que precisa ser mantida para continuar inspirando as novas gerações – pastor Cléo Martin, da Igreja da Paz.

Viabilização do projeto depende da destinação do Imposto de Renda

As demais etapas da obra, porém, ainda não têm data prevista para começar. Elas dependem da viabilização financeira, que é feita por meio de captação de recursos junto a pessoas físicas e jurídicas. O projeto “Restauração da Igreja da Paz” está aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, a chamada “Lei Rouanet”, o que permite deduzir 100% da doação ou patrocínio do Imposto de Renda devido – ou seja, o aporte ao projeto não tem um custo extra ao doador/patrocinador, já que é parte do imposto que ele já pagaria ao governo federal. Pessoas jurídicas (tributadas em lucro real) podem patrocinar o projeto com até 4 % do imposto e pessoas físicas (que fazem a declaração completa) podem doar para o projeto até o limite de 6% do imposto devido. O depósito deverá ocorrer até 31 de dezembro de 2020 e o valor será deduzido na declaração de 2021, no caso de pessoa física.

Saiba mais sobre a Igreja da Paz

A Igreja da Paz foi a primeira casa de oração protestante da Colônia Dona Francisca e a sua história se funde a de Joinville. O primeiro culto da Comunidade Evangélica de Joinville foi realizado em 25 de dezembro de 1851 (mesmo ano de fundação da cidade).

Em 1857, a Colônia Dona Francisca contava com 1.428 moradores, dos quais 142 católicos e 1.368 protestantes. Na época a religião oficial no Brasil era a católica e não era permitido que outras religiões construíssem igrejas. Assim, embora fossem maioria, estes protestantes do núcleo central da colônia ainda não possuíam um espaço para oração, onde pudessem expressar sua fé.

Para reverter isso, foi solicitado ao Governo Imperial um projeto para a construção de uma Casa de Oração – e em 1º de junho de 1857 foi realizado o lançamento da pedra fundamental da edificação, que seria a origem da Igreja da Paz. A Casa de Oração foi erguida em terreno doado pela direção da Colônia e contou com o auxílio financeiro do governo imperial.

A construção tinha o comprimento de oitenta e oito pés de largura e quarenta e três pés de altura (26,82m de largura e 13,11m de altura). O forro era sustentado por doze colunas em madeira (de canela, uma árvore nativa) e o prédio contava também com mezanino, altar e púlpito. Na obra foram utilizados granito e quartzo retirados de uma pedreira, e templo apresentava cobertura de telhas – algo incomum pois à época as coberturas eram feitas com palha ou madeira. A fachada principal apresentava ainda pilares e uma pequena cobertura projetadas externamente.

A Casa de Oração Protestante (a nomenclatura “Igreja” era proibida para templos não católicos) foi inaugurada em 7 de agosto de 1864 e contou com a presença de cerca de quinhentas pessoas, segundo o Kolonie-Zeitung, o jornal da colônia.

Ao longo de sua história, ela passou por diversas ampliações e mudanças. A construção da torre só foi possível após a Proclamação da República, com uma maior flexibilização proporcionada pela nova Constituição Federal. Assim, em 18 de dezembro de 1892 a torre foi consagrada. No mesmo período foram adquiridos na Alemanha três sinos para ela. O relógio da torre foi instalado mais tarde, por volta de 1908. A última grande reforma ocorreu em 1964. Depois disso foram realizadas apenas pequenas alterações.

O edifício integra o conjunto histórico urbano da Paroquia da Paz e Colégio Bom Jesus, protegido pela Prefeitura de Joinville e o tombado pelo Estado por meio da Lei n° 5.846, de 22 de dezembro de 1980.

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