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Quanto a formação de jovens atletas

O processo de desenvolvimento de um atleta está atrelado a várias fases, e cada uma delas tem um tempo próprio para cada pessoa, sendo a questão de idade apenas um referencial didático e estatístico, e não necessariamente algo matemático e de ponto final.

Muitos pais, treinadores e olheiros se empolgam com a atuação de crianças e jovens no esporte, acreditando estarem diante de um futuro profissional, como até mesmo estas crianças e jovens acreditam ser neste momento, mas é sempre necessária uma dose de muita cautela diante deste panorama, pois nunca se sabe, exatamente, o que move a ação destes jovens atletas, sendo muitos deles apenas movidos por aceitação social momentânea; destaque social para preenchimento de alguma falta interna; projeção do desejo dos pais e treinadores; questões midiáticas enquanto influência, como modinha; indução pelo grupo de convivência afim, entre outras possibilidades.

Com o acompanhamento de um psicólogo do esporte, poderá ser desmistificada esta questão, do que realmente move a ação daquele jovem atleta, não somente para os observadores, mas para o próprio atleta mirim em formação, mesmo que este processo seja dinâmico e não determinante, por isso toda precaução diante de tomada de resoluções se faz necessária para que seja vivenciada cada fase como ela tem que ser.

É na mais tenra idade que os pais devem introduzir o mundo do esporte na criança, não necessariamente empolgados por uma formação de atleta profissional, mas a estimulação deve estar alicerçada nas vantagens da prática esportiva em si mesma, a qual promove atividades motoras, prazer, satisfação, interação, reconhecimento de figuras de autoridade, ações em equipe por um objetivo comum, respeito relacional, entre outras vantagens que promovem não somente a saúde física, mas a mental e social também.

É na fase da inocência, entre 6 a 10 anos, que a introdução ao mundo do esporte, de maneira natural e não impositiva ou projetiva do desejo dos pais, dá início a formação de futuros atletas, onde a associação da prática do esporte deve estar alinhavada com o prazer de praticá-lo, com distanciado do sentimento competitivo diretamente, sendo por isso conhecida como Fase da Iniciação.

Nesta fase geralmente é o desejo dos pais que está acima de tudo neste processo, mesmo que tentem acreditar que é a criança que quis praticar, mas na verdade é induzida a tal, e geralmente eles projetam nela características especiais, acreditando, muitas das vezes, estarem diante de um talento nato, mas é muito cedo para tal diagnóstico.

Nesta faixa de idade a criança tem condições psicofísicas deveras favorável para que possa adquirir mais ampla habilidade coordenativa e de repertório motor.

Já dos 10 aos 15 anos temos a Fase Atlética, onde o pré-adolescente geralmente pratica esportes numa busca de aceitação num grupo e por curiosidade. Nesta fase os pais e técnicos se empolgam com a dedicação e busca de destaque dos jovens no esporte, acreditando estarem diante de um futuro grande atleta, mas muitas das vezes está sendo movido apenas pela busca de aceitação social mesmo, tanto que estes tendem a abandonar tal prática com tamanha dedicação nas próximas fases. Nesta fase o jovem está em condições de refinar suas técnicas e ter atenção maior sobre a prática esportiva em si.

Temos a Fase da Especialização, ou Fase da Diferenciação, entre 15 e 18 anos, onde o adolescente é mais movido por sua própria força de vontade, e entende processos de companheirismo, começando a ter certeza se quer ou não se dedicar ao esporte pelo esporte de fato, enquanto profissional como foco.

Nesta fase o jovem atleta está mais apto para a automatização dos movimentos, conseguindo atenção maior doutros estímulos presentes que ocorrem na prática esportiva, bem como estão aptos a vivenciarem treinamentos mais intensos e participação  mais ativa em competições, pois geralmente já são detentores de suporte de cargas psicofísicas quase como os adultos.

É a partir dos 18 anos que ocorre a Fase de Alto Rendimento, onde a persistência e a determinação se faz presente na prática esportiva, sendo conhecida também como Fase da Decisão.

É aqui que conseguimos ver claramente o atleta enquanto profissional, dedicado, focado, com os pés mais no chão e não mais acionado seus passos no esporte apenas por sonhos ou fantasias de dias de glória vir a viver ou impulsionado por outros ou pelo preenchimento de algo em suas vidas para além do profissional.

Esta é a fase de alto desempenho, de especialização, de grande aprimoramento técnico e de obtenção de melhores resultados, resultados estes mais calculados do que buscados simplesmente.

Também é fase em que as decisões mais podem ser tomadas conscientemente, como dedicar-se ao profissionalismo no esporte, ou vivenciá-lo enquanto hobby ou abandoná-lo, e isso geralmente se dá pela consciência mais clara dos limites de diversas ordens, não somente físicos, mas também psicológicos e socioeconômicos, pois o mundo das fantasias dá lugar ao racional, conforme o amadurecimento vir a ocorrer.

Neste artigo fiz um breve resumo, feito um mapa didático, as fases de desenvolvimento de um jovem atleta, mas quero enfatizar que não se trata de um esquema fechado, pois depende de muitos eixos, da particularidade de cada qual, mesmo que esteja baseado num contexto estatístico, mas pode ocorrer diversas exceções.

A leitura depende da história de vida do jovem em formação, dos agentes primários de socialização em que foi inserido e comungou, como familiares, professores, técnicos, amigos, mídia e afins.

Mais uma vez aqui preciso ilustrar da necessidade ímpar da participação na equipe técnica de um profissional preparado e especializado em Psicologia do Esporte, não somente para compreender melhor de quem se trata aquele jovem que a família ou um clube está investindo, como auxiliar o próprio jovem a ter mais claro seus próprios desejos reais.

E o trabalho do psicólogo do esporte se dá, em grande foco, na formação de jovens atletas também, ajudando a sinalizar ao clube ou familiares o quanto de investimento vale a pena ser promovido sobre o mesmo, sendo até mesmo uma questão econômica e de tempo, pois investir sendo um caso destoante ou de poucas perspectivas futuras esperadas, é perda de tempo e dinheiro não somente para o clube, mas para os pais e para o próprio jovem atleta, que passa a ser movido e alimentado mais por fantasias do que por realidade.

Olheiros e técnicos conseguem perceber claramente as capacidades técnicas, mas não necessariamente o que as move, que é peça chave para compreender a dinâmica das ações e que perspectivas podemos depositar sobre elas, bem como o quanto de investimento financeiro, técnico e psicológico vale a pena depositar em cada caso.

Quando as ações são acionadas por mecanismos de defesa ou em busca de preenchimento doutros segmentos psicossociais, assim que estes forem saciados ou suplantados, o jovem muda de foco de investimento, tendo talento ou não para determinado esporte, por isso se faz necessário acompanhamento com um profissional da área para auxiliar neste processo e entendimento, seja pelo bem do próprio jovem, seja pela questão financeira e investimento do clube e dos familiares.

(conteúdo trabalhado em minha palestra ESPORTE & PSICOLOGIA: um casamento perfeito e necessário)

by Carlos Alberto Hang (psicólogo, coach e jornalista;SC03991, especialista em Psicologia do Esporte)

 

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Carlos Alberto Hang
CARLOS ALBERTO HANG: Escritor e jornalista (03991/SC) também com formação em Psicologia, Filosofia, História, Teologia, Psicopedagogia, Letras e Literatura, Gestão de Pessoas, Gestão de Marketing, Gestão Ambiental, Psicologia do Esporte, Psicanálise, Psicologia Clínica e Comportamental, Nutrição Clínica e Funcional, Coaching, Recursos Humanos,Jornalismo Digital, Logística, Adm. De Hotéis, Relações Internacionais, Promoção de Saúde e Prevenção de Drogas, Gestão na Administração Pública, Técnico de Segurança do Trabalho, Piano, Linguagem Musical, História da Música, Gastronomia, Inglês, Italiano e Espanhol, é Embaixador pela Cercle Universel des //Ambassadeurs de la Paix (Genebra/Suíça), é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de MG na cadeira 148. Instagram: @carlosalbertohang Twitter: @hangjornalista FACEBOOK: @opiniaodeumlivrepensadorbyHANG. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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