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Carlos Alberto Hang: Violência Doméstiva em reflexão…

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

E O PRÍNCIPE VIRA SAPO E NINGUÉM TERMINA BEM, E MUITO MENOS TEREMOS O CLÁSSICO “FELIZES PARA SEMPRE”…

 

O indivíduo é juiz, e ainda está à frente da defesa dos Direitos Humanos, mas em casa agride a mulher de diversas formas (ameaçando, intimidando, menosprezando, xingando, humilhando-a na frente de terceiros), tenta seduzir suas empregadas e ter contato físico com elas sem permissão delas, e sabe mais lá o quê. Mas enfim a mulher se separou dele e juntou as devidas provas e entregou o marido “viril” para a justiça, tendo como testemunhas as demais vítimas, como vimos nos telejornais tempos atrás. Vencerá provavelmente nos tribunais, mas dificilmente suplantará a dor a que foi submetida por anos, muitos deles somados por esperança de que viesse a mudar a situação.

Assistirmos ou vivenciarmos cenas de violência física ou psicológica nos deixa sem voz, com a garganta irritada e nos deixando inquietos, e ficamos estupefatos diante da necessidade de um ser humano, que não tem domínio sobre si mesmo, ter a necessidade de dominar o outro, projetando na mulher toda sua baixa autoestima e desrespeito que tem de si mesmo, pois como está escrito na Bíblia “a boca fala do que está cheio o coração”, logo ele agride psicologicamente também, com o que tem dentro de si, ódio.

Seja como psicólogo, seja como jornalista, seja como filósofo, seja como curioso do comportamento humano, tenho analisado, com muita frequência, violências de diversas ordens, sinalizando seres humanos adoentados.

Vale destacar aqui que, ao tratarmos de violência doméstica, a mesma não diz respeito somente as agressões físicas, mas psicológicas também, que muitas vezes ferem muito mais e provocam danos maiores que muitas das físicas, xingando ou humilhando a outra pessoa.

Bem como quero deixar claro que, mesmo tendo o enredo maior sobre as mulheres enquanto vítimas das agressões, temos tido cada dia mais casos de homens que passaram a ser vitimas de suas mulheres, de agressões físicas e psicológicas, até assassinato, amputação de membros do corpo (orelha, genitália, etc), queima de partes do corpo com álcool, óleo quente ou gasolina, entre outras formas.

Algumas vítimas se sentem culpadas pelo que acontece, fazendo isso parte do jogo psicológico do agressor, muitas das vezes, que diante a constante humilhação que provoca, convence a pessoa que ela não vale nada, que a culpa é dela, que ninguém na sociedade e família vai acreditar nela, que sem ele ela não poderá sobreviver, que ela nunca mais conseguirá ficar com outra pessoa, pois ninguém a desejará por ser feia e complicada, etc.

Ouvem-se muitos relatos em que a vítima se diz ameaçada quando é dito a ela que SE NÃO FICAR COM ELE(A), NÃO FICARÁ COM MAIS NINGUÉM, ou ainda que PODE ATÉ ACEITAR A SEPARAÇÃO, MAS SE DESCOBRIR QUE ESTÁ NAMORANDO OUTRA PESSOA, MATA AMBOS, e etc. Estas postura do agressor é clássica de pessoas com baixa autoestima, frustradas, que não acreditam em seu potencial, que se trata de pessoa desequilibrada de fato. Existe pouca coisa mais deprimente o que alguém ficar com outra pessoa sabendo que ela está ali somente por ameaça ou medo. É o ápice da falta de amor próprio.

Existe algo que é difícil de ser lidado quando se deseja ajudar alguém em caso de violência doméstica, que se dá quando a pessoa diz EU NÃO DENUNCIO OU NÃO ME SEPARO PORQUE TENHO ESPERANÇA DELE(A) MUDAR ou ainda afirma EU SABIA QUE ELE ERA ASSIM, MAS EU POSSO MUDÁ-LO… chamo a isso de ANCORA RELACIONAL, que ocorre quando a pessoa fica presa a algo que provavelmente nunca sairá do lugar, caso não afunde mais ainda até. Muitas destas pessoas pertencem a classe de MASOQUISTAS, que na verdade sentem prazer em sofrer ou tem alguma compensação secundária com o sofrimento (GOZO NO SINTOMA), mesmo que viva reclamando dele. É bem difícil ajudar uma pessoa iludida desta, pois por algum motivo, ela não quer ajuda de fato, mesmo pedindo e sofrendo muito.

Já outras pessoas não tomam atitude, pois dizem que o agente agressor sempre pede perdão e promete que irá mudar sua postura ruim, que chorou muito depois de arrependimento e tinha até melhorado muito por um tempo, entre outras justificativas, mas voltou a agredir. Podemos até considerarmos que exista arrependimento e desejo de mudança, mas quando fica provado que não ocorre, sendo apenas um jogo sentimental para não perder o brinquedo que tem que acredita ser seu e que pode fazer o que quer, não tem como.

Algumas pessoas mantém o relacionamento doentio por não acreditarem que conseguirão achar outra companhia, pensando que a felicidade está intrinsecamente ligada com estar ou não com alguém, casada ou em relacionamento algum. Mero engano, tem muita gente solteira que vive muito mais a vida e muito mais que muitos casais aparentemente felizes e com supostos filhos dos sonhos, que eles até enfatizam que se trata disso para os demais. E seja como for, é muita baixa autoestima crer que não exista ninguém que queira a pessoa, além de alguém que lhe agride. Existe pessoas ainda numa mentalidade antiga que acredita que alguém que não casou ou vive sozinha, tem algum problema por isso, por não estar entendo um relacionamento com outra pessoa, quando não acham que tem problemas de ordem sexual não resolvidos. Acredita, ninguém precisa casar para ser feliz e se deposita no ato de se relacionar com alguém a felicidade, está indo pelo caminho bem equivocado do que em a ser relacionamento. Ninguém tem o potencial de fazer o outro feliz se o outro não aprendeu ainda a ser feliz por si só.

Sem tratamento psicológico (e algumas vezes psiquiátrico), não temo como. Mesmo que até esteja sendo sincera a pessoa quando diz que não pretende fazer novamente, mas existem forças internas que devem estar mais fortes que seu desejo em melhorar. NINGUÉM AGRIDE NINGUÉM, SEJA FISICAMENTE, SEJA PSICOLOGICAMENTE, SEM TER ALGO DENTRO DE SI MESMO QUE ESTEJA O INCOMODANDO E O TRAZENDO DESEQUILÍBRIO. Muitas vezes não queremos ser grosseiros, mas acabamos sendo, e está na nossa história de vida o impulso desta nossa agressividade.

Temos aquelas pessoas que continuam comungando um relacionamento conturbado por causa dos filhos, por acreditar que a separação pode ser traumática. Mas o que estas pessoas não entendem é que OS FILHOS SÃO VERDADEIRAS ESPONJAS, pois eles sentem e sugam o que ocorre no lar, mesmo quando os pais não brigam na frente deles. E os filhos viverem sobre esta atmosfera de agressividade (seja ela de ordem física ou psicológica) é semear potenciais posturas de agressores ou submissos nas relações futuras deles. Tenha certeza que será menos danoso para o amadurecimento dos filhos a separação, em muitos destes casos.

Outras pessoas alegam não tomar atitude diante das agressividades, pois afirmam dependem financeiramente. Esta é uma das piores justificativas, salvo se a dor que sente ainda não for maior que o amor a si mesmo. Além de existir geralmente quem abra a porta para abrigar um familiar ou amigo, tem geralmente o governo projetos para tais pessoas. Muita gente continua nesta situação por não querer baixar o nível de vida que tem tido também.

Temos quem assegura que não denuncia ou se separa, pois sofre ameaça de morte. Bom, por morrer, existe grande potencialidade de vir a ocorrer se ficar convivendo com o agressor, já. Existem leis protetivas, e mesmo não sendo perfeitas, não tem como viver sobre ameaça alheia, vivendo como se fosse refém do marido ou da esposa. É adoecedor para todos os elementos envolvidos. Neste caso de ameaça, mais do que tudo o mais, é preciso denunciar e abrir boletim de ocorrência.

Temos ainda grande dificuldade de ver a mulher como agente agressor no relacionamento, mas isso não tem sido raro ocorrer, inclusive assassinando o próprio companheiro, se não os filhos também, por encomenda ou diretamente por elas, usando os filhos como ameaça, entre outras formas de agressão. Muitas mulheres usam do discurso que quase todos nós temos de que MULHER É SEXO FRÁGIL e de EM MULHER NÃO SE BATE NEM COM UMA FLOR, como álibi para agredir, inclusive fisicamente por contar com a fragilidade física do marido, seja por considerar que ele não a atacará por medo da Lei ou por respeito por ela ser mulher.

As maneiras mais comuns das mulheres agredirem seus companheiros é através da violência psicológica, humilhando, xingando, menosprezando, gritando, dando ordens, ridicularizando na frente dos filhos ou familiares ou até amigos, ou no caráter sexual, tomando atitudes frias ou desviantes dele.

Vale salientar aqui que a LEI MARIA DA PENHA também serve para atender aos homens, e que mulher também pode responder criminalmente e vir a ser presa por agressão. Mas o falso conceito do que é ser homem tem feito com que homens se submetam às agressões ainda calados ou acabam explodindo de forma a se voltar contra eles a penalidade por atos extremos, pois acabam se tornando os verdadeiros agressores.

Muitos homens agridem mulher até por não gostarem mesmo de mulher, mesmo acreditando serem heterossexuais, mas não o são de fato, mas isso está no campo inconsciente deles. Lembrei-me de um caso em que o marido agredia a mulher e a filha, e idolatrava o filho, dizendo ao mesmo que se ele se tornasse homossexual, o mataria. Mas então, conhecendo a história de vida dela, fica evidente do que possivelmente se trata o caso (menos para ele, claro), entendendo nós por que tanto ódio pela figura feminina e amor pelo filho em projeção. A angústia dele era tamanha, que além de agredir as mulheres, o alcoolismo tomou conta dele.

Diante de casais ouvi muitos relatos de maridos afirmando que sim, que a esposa tem que ser submissa a eles, e se não obedecerem deve apanhar para aprenderem a se comportar, inclusive buscam justificar tais procederes usando frases bíblicas, bem como não foram poucos os casos que vi de mulheres que batem nos maridos e os humilha também. Alguns casos esta situação é impulsionada pela dependência financeira de um dos lados, seja por cuidar da casa e não trabalha fora, seja por estar desempregado. O desemprego também afeta muito, principalmente o homem de nossa sociedade, que se sente humilhado por sua situação, muitas vezes descontando na esposa e filhos tal frustração.

Em todo agressor encontramos seres doentes, e não poucas das vezes, apenas repetindo o ciclo que tenha ele vivido no modelo familiar de relacionamento dos seus pais, ou mesmo por terem sido abandonados ou violentados na infância e adolescência, seja agressão na linha física, psicológica ou sexual. Todo desequilíbrio ou agressão, seja ela qual for, parte sempre de uma pessoa em perturbação mental. Algum com boa autoestima e equilibrado, mesmo diante de injustiças sofridas, não lida com elas agressivamente, sendo isso clássico no contexto psicológico em estudo.

O que mais chama atenção, é que muitos dos casos têm ocorrido com pessoas que não namoraram, mas conheceram a pessoa e, em seguida, a colocam para morar em suas casas ou vai morar na casa da outra pessoa, isso em questão de meses, e até tive casos de menos de uma semana e até no mesmo dia em que conheceu seu parceiro. Levamos anos para termos uma superficial noção de quem se trata a pessoa com quem nos relacionamos até diariamente, imagina acreditar estar diante de uma pessoa ideal pelo conceito que tem dela formado em questão de dias, semanas ou meses apenas. É pedir para se frustrar.

Começam relacionamentos e vão moram juntos, morando com estranhos, definitivamente desconhecidos. Quem se submete a isso pode ter carência afetiva e propensão à dependência ou dominação, ou tentando se afastar de uma vivência ruim em casa. Morar junto com alguém, com menos de um ano e meio ou dois, mesmo dentro de um relacionamento sério, podemos considerar que é entrar num jogo de roleta russa, com imensa possibilidade de não se dar nada bem.

Claro que, em alguns casos, mesmo namorando por anos e, mesmo diante de cautela maior, também aparece o lobo escondido na pele de cordeiro, até mesmo muitos anos depois do casamento, mas isso é mais raro, mas pode acontecer, pois a mente das pessoas não é estática, mas opera sempre em construção e existem diversas situações que podem provocar tais ocorrências desagradáveis.

O agente abusador sempre sinaliza de quem se trata, com maior ou menor intensidade durante o início da relação, e deve ser levado em conta, mesmo que sejam ainda momentos raros ainda. Existem diversos atos e falas características de uma pessoa com potencial de vir a ser agressora, desde um VOCÊ NÃO VAI SAIR COM ESTA ROUPA, SE VOCÊ TIRAR A CAMISA NA RUA EU VOU PARA CASA, VOCÊ SÓ VAI MALHAR SE EU ESTIVER JUNTO NA ACADEMIA, JOGUE TODAS AS FOTOS E PRESENTES DOS TEUS EX NO LIXO E NUNCA MAIS FALE COM ELE, QUERO VER TEU CELULAR (OU TER A SENHA) OU ESTÁ ESCONDENDO ALGO DE MIM PARA NÃO ME DEIXAR VER, um beliscar de raiva pela segunda vez, uma cara de ódio diante de algo sem importância, criação de crise devido a alguma postagem ou amizade na rede social, ou até mesmo por ter curtido alguma foto doutra pessoa, e assim se vai naquele jogo de um com o outro se revelando, até que a máscara cai e o jogo pesado dá seu início, revelando a pessoa de baixa autoestima e problemática que estamos lidando.

Mas entre muitos outros aspectos, a vitima sente: vergonha por acreditar ter falhado no casamento; desespero por estar em dependência financeira do agressor; baixa autoestima, até mesmo introjetada pela humilhação constante que sofre do agressor; confusa quanto a questão dos filhos que acredita ser ruim a separação; ameaçada, e tudo o mais que este jogo sádico promove.

Sim, não é fácil sair deste ciclo, mas é preciso se fortalecer buscando ajuda, confiando em alguém, tomando o primeiro passo, pois esta história dificilmente terá um final feliz, bem como temos isso confirmado através dos programas policiais que, todos os dias, apresentam casos de assassinato, principalmente feminicídio, mulheres ou maridos queimados com álcool, gasolina ou óleo quente; amputação de parte do corpo da pessoa; etc.

O mais importante é fazer de tudo para não entrar em relações que já não se apresentam adequadas desde o início, e que pode até vir a sentir bem amada na maioria do tempo, mas ameaçada, diminuída ou submissa noutros, seja numa relação entre o gênero que for.

Clinicamente posso afirmar que não ocorre somente nas relações heterossexuais tais violências, e nem somente da parte dos homens, como já destaquei anteriormente. O modelo de violência está para além de ser homem ou mulher, mais jovem ou mais maduro, pobre ou rico, heterosexual ou homossexual, e etc., mas é uma questão de caráter mental, de história de vida de cada qual que se manifesta em seu dia a dia através de canos de escape para um sofrimento interno, usando-o para suplantar a própria dor interna, provocando dor no outro em compensação.

Conheça bem com quem se relaciona seriamente, e se estiver passando por violências físicas ou psicológicas, busque ajuda, seja numa terapia de casal se for possível (que geralmente não é possível neste perfil, salvo se for muito no início, pois o agressor, além de receio, geralmente não assume a culpa), seja individualmente.

Mas nunca deposite na esperança de que, no passar dos dias, virá a ocorrer uma possível mudança comportamental do agente agressor, um milagre que salvará teu namoro ou casamento.

Fortaleça-te, pois sabemos que para a vítima não é fácil por estar fragilizada e ter retirada suas forças de ação através do empenho do agressor em diminuir seu cônjuge constantemente, e é comum a vítima acabar se convencendo de que realmente não vale nada, quando não se sente inclusive culpada pelas agressões do seu parceiro ou parceira. AJUDA-TE BUSCANDO UMA AJUDA!!!

Afasta-se de quem você até ama, pode ser uma prova de amor de si mesma, muitas das vezes, pois nem tudo vale a pena o preço que é cobrado. Permita-te ter um final feliz, nem que neste final, você não esteja se relacionando com mais ninguém.

 

(Carlos Alberto Hang, jornalista – 03991/SC, psicólogo com formação ainda em filosofia, psicanálise, pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil, Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia de Familiar e de Casal, Psicologia do Esporte, Psicologia Clinica e Comportamental, PNL – Programação Neurolinguística, Inteligência Emocional, Saúde da Criança e do Adolescente, Depressão Infantil, Promoção da Saúde e Prevenção de Drogas (UFSC), Prevenção de Drogas, Codependentes: Pais na Prevenção ao Uso de Drogas, Saúde Mental e Dependência Química, Coaching, Mentoring, Educação Sexual e Sexualidade, Neuropsicologia, Saúde do Adolescente, e afins)

 

 

 

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Carlos Alberto Hang
CARLOS ALBERTO HANG: Escritor e jornalista (03991/SC) também com formação em Psicologia, Filosofia, História, Teologia, Psicopedagogia, Letras e Literatura, Gestão de Pessoas, Gestão de Marketing, Gestão Ambiental, Psicologia do Esporte, Psicanálise, Psicologia Clínica e Comportamental, Nutrição Clínica e Funcional, Coaching, Recursos Humanos,Jornalismo Digital, Logística, Adm. De Hotéis, Relações Internacionais, Promoção de Saúde e Prevenção de Drogas, Gestão na Administração Pública, Técnico de Segurança do Trabalho, Piano, Linguagem Musical, História da Música, Gastronomia, Inglês, Italiano e Espanhol, é Embaixador pela Cercle Universel des //Ambassadeurs de la Paix (Genebra/Suíça), é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de MG na cadeira 148. Instagram: @carlosalbertohang Twitter: @hangjornalista FACEBOOK: @opiniaodeumlivrepensadorbyHANG. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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