Home » Carlos Alberto Hang » Carlos Alberto Hang: Síndrome do Imperador e as consequências de uma educação infantil questionável…

Carlos Alberto Hang: Síndrome do Imperador e as consequências de uma educação infantil questionável…

Já na Grécia Antiga, Aristóteles dizia que a educação tem raízes amargas, mas que os seus frutos são doces. Crianças e adolescentes tiranos têm sido presentes, em número cada vez maior, nos contextos familiares e nas clínicas de psicologia, quando pais desesperados diante de uma situação que perderam o controle, e sem entender o que aconteceu para que chegasse a tal ponto, levam seus filhos em busca de orientação.

Na Espanha, um menino de apenas 11 anos, acusou sua mãe de bater nele, mas o tribunal a absolveu. Nos últimos anos, tem sido comum ouvirmos crianças e adolescentes ameaçando seus pais e professores de os denunciarem para a polícia por terem sido chamados a atenção devido aos seus comportamentos, ou por terem se sentido humilhados diante de algo dito ou feito.

Muita da culpabilidade desta falta de respeito, de limites e ainda de não saberem lidar com frustração, se dá pelo excesso de direitos em detrimento dos deveres consequentes, bem como, em nome de uma tal de PSICOLOGIA MODERNA, assim como a tal lei da palmada, além da mídia “lacradora” diante de seus programas sensacionalistas, onde tem sido estas questões interpretadas de maneira incoerente com o que são em essência, bem como a equivocada escolha dos pais em serem amigos dos filhos, e não pais de fato.

A dedicação de alguns pais na educação dos filhos se deve, não pela melhor formação deles enquanto indivíduos sociais, mas como reflexo do próprio narcisismo dos genitores. Alguns pais, por terem tido uma educação desprovida de atenção maior ou por ter sido castradora demais, tendem a exagerar no modelo de educação que escolhem para seus filhos.

Existem pais que querem fazer os filhos felizes de qualquer maneira, superprotegendo-os. Muitos roubam de seus filhos oportunidade de crescerem, de aprenderem com a vida. Até nas brincadeiras da criança querem comandar, estarem juntos e participarem constantemente, tirando o exercício da criatividade do infanto.

Ao fazerem as tarefas escolares, acabam resolvendo os problemas pela criança, e ainda assim dão parabéns exaustivamente pelo resultado, como se fosse mérito da criança de fato, e se ela produz algo simples, encenam os pais momentos patéticos de exagero de congratulações, acreditando ser isso uma espécie de reforço positivo e incentivador a qualquer preço.

Caso o filho tire nota baixa, buscam culpar o sistema educacional, ou outro fator externo, menos a falta de dedicação do próprio filho. Apenas quando o filho não dá conta é que os pais entram em ação, e devem fazer a tarefa escola COM o filho e não PELO filho, como alguns fazem até para se livrarem da situação mais rapidamente.

Muitos pais transformam o filho num verdadeiro TOTEM NARCISISTA ao o idolatrarem, tratando a criança como se ela fosse um verdadeiro príncipe ou princesa, acreditando ser muito mais inteligente e bonita de todas as crianças, acreditando até que outros têm inveja deles. Alguns pais gastam fortunas com superprodução das festas infantis, por exemplo, que mais diz respeito ao ego deles, querendo provar poder e status aos amigos, do que para a criança de fato.

Crianças esperavam ansiosas pelas suas festas de aniversários, tempos atrás, que eram feitas na garagem de casa, com meia dúzia de balão barato e comida simples, mas muita festa de verdade. Hoje muitos alugam empresas especialidade em festas infantis, salões de festas requintados e etc, mesmo tendo espaço dentro de casa e, muita vezes se endividando em nome do ego.

Mas é lógico que estas festas são incríveis e interessantes também, o que se deve aqui refletir é se é o caso tal investimento em determinado momento, para quem realmente é a festa, e estar consciente de que isso não assegura se tratar de uma educação de qualidade por si.

Mas quando é feita pela comemoração da vida de fato, pelo respeito aos amigos para que tenham um ambiente diferente e outros motivos nesta estirpe, vale sim, seja no mais caro buffet, seja no puxadinho com lona preta que fizerem em casa para a festa. Só cuidar para não se tornar fruto de ordens de um infanto, em especial.

Chamada de SÍNDROME DO IMPERADOR, o perfil de uma criança (pode ser um adolescente, também) dentro de contexto é: nunca está satisfeito com nada que lhe fazem; tem comportamento que não condiz com a idade, seja se portando como se fosse um adulto, seja se infantilizando; não sente culpabilidade ao maltratar os demais; tem necessidade de controlar tudo e a todos; não admite ser confrontada, ou se for, não deixa por isso; não consegue respeitar figuras de autoridade, como pais, irmãos, tios, avós, professores e demais adultos, chegando a gritar e dar ordens para eles, se não bater neles; é insubordinada e rebelde; exige ser respeitada; promove tirania; pode agredir física ou verbalmente, ameaçar, danificar objetos de grande apreço de quem deseja atacar ou se vingar; manipula as pessoas a tomarem as decisões que ela quer; não consegue se colocar no lugar do outro, a não ser que lhe convenha; tem baixíssimo nível de tolerância diante de frustração; não tolera ser contrariada; tem arrogância; encena momentos intempestivos e de muita raiva diante dos seus contrários; costuma não ter muitos amigos, e os tem apenas mantém os laços enquanto consegue ser líder deles; não se presta a ajudar as pessoas, pois acredita que merece somente ser servida por elas; é soberba; não liga para ordens que lhe deem; sente necessidade de chamar a atenção para si, tornando-se o centro das atenções em momentos mais inconvenientes; é manipuladora; muito inquieta; é encrenqueira e mandona; é egocêntrica; suas brincadeiras são geralmente de caráter agressivo, mentem com grande facilidade, quando não colocam até os pais e irmãos, uns contra os outros; tem grande dificuldade em aceitar e respeitar regras e as quebra com facilidade, mesmo tendo prometido agir doutra maneira; não leva desaforo para casa; costuma mentir ou inventar coisas para se dar bem ou provocar conflitos; é desafiadora; tem interesse somente em seu bem estar e em se dar bem; quer ser sempre a melhor; promove chantagem emocional para conseguir o que quer; quer dar ordens no ambiente em que se encontra, seja em casa, na escola ou entre os amigos; quer ser sempre a líder máxima e geralmente autoritária; entre outras ações dentro deste contexto, cujos comportamentos podem ser reflexos diretos da educação que ela tem recebido e sendo reforçados pelos próprios pais, os quais justificam em forma de racionalização o que não se tem justificativa positiva de fato.

Claro que não são todas estas características juntas que uma criança com Síndrome do Imperador tem, mas se trata de comportamentos que transformam a vida dos pais e afins num verdadeiro inferno, sendo o filho um mini tirano, que até pode ser amoroso e querido, mas quando lhe convém ou se sente acuado.

Perceba que muitos dos comportamentos acima, alguns pais acreditam serem meritórios, e não os percebem como negativos, como o de ser a criança sempre a que manda e a líder entre as brincadeiras com os coleguinhas dela, acreditando os pais que se trata de uma personalidade forte e inteligente, e divulgam isso como se fosse propaganda positiva da criança.

Como também alguns pais falam com orgulho que seu filho tem personalidade forte, que sabe o que quer, que é determinado, que não leva desaforo para casa, que fala o que quer, e etc., sem perceber tais comportamentos podem ser indício de problemas, e não de parabenizações.

É na primeira infância que pode iniciar este processo de tirania, sendo que, a cada dia mais, tem iniciado mais cedo. Começa com atitudes menores de desrespeito e desobediência, e conforme a resposta que obtiver disso, enquanto reforço positivo ou negativo, muda de atitude ou ampliar a mesma.

Quando os pais percebem que está piorando, e que não estão dando conta de lidar com isso, devem buscar ajuda com um profissional da psicologia para orientá-los, bem como para a própria criança.


O perfil do comportamento de uma criança com Síndrome do Imperador não tem ligação com uso de drogas, problemas mentais, psicoses e afins, nem se trata de culpa do amiguinho da escola ou vizinho que os pais acham que é sua influência, mas é reflexo direto da forma que a educação que lhe é transmitida, bem como da leitura que faz dela.

E mesmo que possa ter uma pré-disposição genética, como alguns acreditam, é o meio em que está inserida a criança que promoverá as devidas manifestações.

Como é o ambiente, assim como a educação correspondente, sinalizadores desta situação, vamos analisar os pais em atuação como geralmente ocorre nestes casos.

Um dos grandes problemas é a promoção de uma superproteção pelos pais ou por um deles, podendo ser avós ou outro adulto de contato diretivo com a criança; fazerem as vontades da criança; agradarem demais as crianças até como forma compensatória do sentimento de culpa dos pais por estarem distantes da mesma ou por outros tipos de compensações que tentam promover com isso; pais permissivos demais; pais que se contradizem quanto a forma de educar; pais que competem entre si; mãe que quebra ordens do pai sobre o filho e vice-versa; pais sem autoridade de pais; pais que querem ser amigos dos filhos e não pais de fato; pais que não ensinam ou dão exemplo de afetividade nas relações; pais que costumam discutir na frente do filho ou ele escurando ou percebendo o mal estar entre o casal, pais que falam mal um doutro para o filho, uso de entorpecentes ou uso abusivo de bebida em casa, promoção de ambiente ruidoso constantemente, e etc.

Geralmente é quando a criança começa a frequentar a escola que os pais começam a entender a tirania dos filhos, pois começam a serem chamados constantemente para resolver conflitos dos filhos naquele ambiente, falta de comprometimento com o aprendizado e outras situações, embora que o perfil de muitos destes pais é culpabilizar a própria escola, professores e amiguinhos de sala de aula e tentar salvaguardar seu pequeno tirano de qualquer culpabilidade, sendo isso um meio de autodefesa dos pais, pois sentem vergonha de terem falhado na educação, usando a negação para não encarar a realidade.

Muitos pais vivem mudando a criança de escola, acreditando ser o problema maior a instituição de ensino ou os professores ou as demais crianças, e não sua prole diretamente.

Devemos entender que uma criança não nasce com tais características, as quais são aprendidas e incorporadas à sua personalidade.

É papel dos pais ensinarem a criança como se comportar, prepararem a mesma para lidar com frustração, fortalece-la diante dos obstáculos que a vida sempre apresenta em toda e em qualquer parte dela, deixando resolver seus próprios problemas quando tem capacidade conforme sua idade, bem como se sentir punido quando fez algo errado, e responsável pelas atitudes, mesmo na mais tenra infância. Sempre levando em conta a idade da criança em proporção a tudo isso.

Quando uma criança cresce tendo a maioria de seus desejos realizados a qualquer preço, provavelmente crescerá acreditando que o mundo também deverá servi-la de acordo com tal proceder, achando ser obrigação do mundo em fazer suas vontades, tornando-se uma pessoa de difícil convivência social.

Temos pais que possuem grande dificuldade em colocar limites, estabelecer regras, deixar claro o que querem e como deve ser, sendo que a criança percebe isso com o passar do tempo, e ainda usa para seu benefício. Pais permissivos não possuem autoridade necessária diante do filho, e muito menos conseguem dele o devido respeito enquanto pais.

As crianças não conseguem por si mesmas controlar seus impulsos, mas é preciso que os pais às ensinem. Pior ainda quando as crianças entendem que seus atos não geram as devidas repreensões do mundo adulto, logo ela fara o que quiser e como quiser, e cada dia pior, conforme perceber que estão recendo mais espaço para tal.

Aqui, muitos dos pais podem estar pensando que sim, eles dão limites e etc., mas vale ressaltar que não basta acreditar que são pais desta forma na educação, mas é preciso ser na prática, e o tempo todo. Ninguém aqui está buscando julgamento e muito menos condenação de quem quer que seja, sejam pais, sejam filhos, mas os convidando para reflexão que gerem uma tomada de mudanças de estratégicas, quando necessário o for, e isso cabe a cada qual.

O ruim é quando os pais se sentem ofendidos ao serem questionando quando a forma de educação que promovem. Esta boa? Basta reconhecer os reais resultados e saberão. Caso negativo, sem culpabilidade, pois filhos não nascem com manual de instruções de como educar, e tenho certeza que a maioria dos pais está fazendo o seu melhor, ou o que acredita ser o melhor.

Como os pais devem educar?

Não terem medo dos filhos; aceitarem quando seu filho tiver culpa por algo que ocorreu, além de orientá-lo e penalizá-lo conforme o caso; entendam que nem sempre teu filho está com a razão, ou é o melhor nos esportes, na escola e etc., pois isso faz parte da vida; não serem obedientes ao filho, invertendo o processo educativo; os desejos e os comportamentos da criança não podem ser todos aceitos a qualquer custo ou diante negociação; perderem o receio de chatear a criança ou frustrá-la quando necessário; aprenderem a dizer NÃO ao filho; não se sentirem na obrigação de explicarem os motivos de todas as suas resoluções educacionais; se forem constantemente questionados pela criança por que não pode ela fazer algo ou ir a algum lugar, simplesmente dizerem PORQUE NÃO; perderem o medo que tenham do filho; não terem medo de negar algo para a criança quando for necessário, imaginando que possa traumatizá-la por deixa-la de castigo, por repreende-la, por dizerem não ou não darem o que ela quer; parem de sentir culpa ou vergonha quando o filho fizer birra ou se mostrar chateado por algo que não conseguiu; não tenham medo de repreender seu filho quando for necessário, como para cessar algum comportamento inadequado; não sejam permissivos; não tire a autoridade do outro adulto que tenta ajudar na educação da criança; evitem ao máximo discutir diante da criança e muito menos falem com ela sobre problemas do casal; façam com que a criança, desde bebê, durma SOMENTE em seu quarto e, sobre nenhum hipótese, abram mão disso; permita que seu filho cresça, pois muitos pais buscam maneiras de prolongar a infância de sua prole, principalmente sendo único filho ou o último, como se dissesse “deixa eu brincar mais um pouco que ainda é meu bebê”, e para tal falam com a criança como se ela fosse um bebê, a chama de neném ou meu bebê, superprotegem, não deixam ela se frustrar ou tentar resolver seus pequenos conflitos, endeusam a criança, fazem de tudo para que não tenha muitos amigos, os quais começa a ver como concorrentes, sabotam o amadurecimento dela por receio claro de perdê-la, e etc.

Muitos pais questionam a respeito da tal LEI DA PALMADA, então vamos falar a respeito. Podemos dizer que devemos nos preocupar com uma prática constante e fora de controle das forças empregadas em nome da educação.

Mas na clínica e na literatura estudada, nunca ouvi um só paciente ou queixa de ter ficado traumatizado por tapa na bunda que levou, por puxões de orelha, chineladas e até beliscões nos braços. A maioria nem lembra a respeito, e alguns que lembram, parecem relatar saudades até destas situações e riem dizendo “eu realmente era muito levado”.

Evidente que, não precisar tomar estas atitudes mais extremistas em nome da educação, seria perfeito. O que não pode, em hipótese alguma, é tornar-se ferramenta principal de educação e de uso constante, e muito menos espancamentos e agressões físicas ou psicológicas, que além de serem casos de polícia, não tem a ver com educação, mas com adultos descontrolados emocionalmente e despreparados para educar uma criança, na qual descontam suas próprias fraquezas e frustrações.

Filhos que sobrem com torturas desta ordem, tendem a serem submissos aos extremos ou radicalmente agressivos quando em sociedade. Pais que dizem precisar usar constantemente estes tipos de recursos para educar, que suas conversas não adiantam, é que realmente já perderam a autoridade de pai e de mãe, sendo eles que precisam analisar onde estão errando para que tal esteja ocorrendo.

E mesmo o tapa na bundinha, o puxão de orelha, o beliscão no braço e a chinelada, devem ser simbólicos, e não de tal intensidade que provoquem dor física na criança.

Na verdade, pode nunca usar destas ferramentas, como dar umas batidinhas de leve com uma varinha como alguns relatam que ocorria quando era crianças, mas simplesmente mostrar estes símbolos já terá uma simbologia esperada em muitos dos casos.

E melhor ainda que ter que mostrar estes objetos símbolos de punição, é quando a fala de uma pai e de uma mãe de autoridade, já basta para o aprendizado.

E dizerem que começa assim, e depois aumenta a intensidade, até chegar no espancamento, é afirmar tolices para justificar o injustificável. Se fosse assim, a maioria dos pais de pouco tempo atrás, seriam verdadeiros torturadores de crianças.

No consultório alguns pais dizem que não sabem o que fazer, pois o filho não quer ir para a casa de praia nos finais de semana, visitar os avós, dormir no quarto dele, entre outras situações afins, e se mostram desesperados por isso, sendo que a resolução é simples, dizendo para a criança: VOCÊ VAI CONOSCO E TODOS NÓS IREMOS JUNTOS E PARA DETERMINADO LUGAR, E PONTO FINAL.

A criança pode até fazer escândalo, entre outras formas de apelações emocionais, algumas chegando a ficarem pálidas e com febre quando são contrariadas, mas conforme ela perceba que suas chantagens não tem efeito, tomará rumos diferentes.

Deixar com que a criança a escolha, constantemente, do que ela quer comer, onde quer ir, onde quer passar o final de semana ou as férias e com quem, que roupa quer vestir ou comprar, e etc., como se ela tivesse discernimento do que realmente é melhor para ela, é criar um ser tirano, mimado e uma pessoa irritantemente chata.

Mas ela faz escândalo quando dizemos não? Segure-a com determinação pelos braços, e diga com segurança que ela deve parar agora mesmo de se jogar no chão ou gritar, por exemplo, e que ela deve fazer o que vocês querem que ela faça, pois são vocês que sabem o que é melhor para ela, e ela é somente uma criança ainda.

Muitos pais acreditam que estão sobrecarregados e não tendo tempo de educar adequadamente os filhos. Mas o que dizer de décadas atrás quando se tinha pelo menos meia dúzia de crianças em casa, quase todas da mesma idade (famosa escadinha), com toda a falta de facilidade tecnológica e afins que temos na atualidade? Quem quer ter filho, não o pode ter para seu ego, mas assumindo a responsabilidade de educar, que vai para muito além de gerar e alimentar.

Os dois precisam trabalhar? Será? Se não dá conta de educar com ambos trabalhando fora, que tal fazer um sacrifício de um deles ficar em casa, pelo menos por meio período, ou somente um trabalhar fora, deixando de lado ter carro, Smart TV, celulares caros, muitas roupas, e etc? Atualmente temos criado necessidades que existem porque as escolhemos ter, mas poderíamos viver muito bem sim sem elas, sendo simplesmente uma questão de prioridades, em muitos dos casos.

Tem pais que colocam a criança numa instituição de cuidados ou de ensino após poucas semanas até do nascimento dela, terceirizando a educação do próprio filho sem necessidade alguma, em alguns casos, tanto que a função da escola tem sido distorcida nos últimos tempos dentro desta perspectiva de educação para além da acadêmica.

Outro problema sério é quando os pais não tem um projeto de vida para si mesmos, além dos filhos. Negam a própria vida, por opção, pelos cuidados do filho, geralmente neste perfil, roubam do filho a própria vida dele, pois querem estar nela em tudo, e não admitem pensar na possibilidade de que ele vai crescer e buscar outros caminhos só dele.

Tanto que muitos sofrem com o que chamamos de SÍNDROME DO NINHO VAZIO, que ocorre com a tristeza que sentem os pais ao verem seus filhos tomarem seus devidos rumos e assumirem a própria vida. Tem pais que já nem mais amigos têm, além do filho que querem vê-lo como amigo, que é um mero engano e estupidez tal atitude, sendo que até mesmo a relação entre o casal já não existe faz tempo ou está deteriorada ou deixada a último plano, desde que vieram os filhos.

Geralmente as mães tomam este rumo, abandonando a si mesmas e transformando o filho numa espécie de refém de seus sentimentos de falta, de suas carências afetivas. Os pais não podem negar a si mesmos pelos filhos.

Quase todo especialidade que conheço que fala deste assunto, indica o filme em desenho animado que eu também sempre indico, chamado de O PODEROSO CHEFINHO, de 2017.

Trata-se da história de um bebe que fala, se veste de terno e gravata, tem uma maleta misteriosa que leva consigo, e se une ao seu invejoso irmão mais velho contra um terrível CEO que quer acabar com o amor no mundo, tendo como foco salvar os próprios pais e impedir que tal desgraça ocorra, além de buscar provar a força deste sentimento. Tem muitas situações vivenciadas em família com a chegada dos filhos.

Uma educação adequada dada pelos pais, beneficia não somente aos filhos, evitando que se tornem os tiranos do lar e de o transformarem numa espécie de inferno na terra para quem convive com eles, mas salvaguarda o relacionamento do casal, o qual, além de viver melhor enquanto marido e mulher, sentirão os pais prazer em ver seu filho crescendo e amadurecendo com qualidade, felizes por promoverem um cidadão para a sociedade de que muito se orgulham.

Mas seja como for, a maneira de educar cabe a cada família escolher, sendo nosso papel orientá-los conforme as observações científicas feitas dos métodos usados e resultados de nossos estudos e experiências clínicas. Mesmo que, as consequências das escolhas feitas na arte da educação dos filhos recairão sobre os pais e, principalmente, sobre a própria criança ao crescer.

A dica que deixo ao casal: faça apenas o seu melhor, o melhor que puder, e terá feito a sua parte e, mesmo errando, não se culpe, apenas faça o seu melhor, porque na educação não existe fórmula mágica, pois cada pai e mãe, e cada criança, é um ser único, tem uma história peculiar e responde a comandos de diferentes modos.

Registro aqui minha admiração aos pais que fazem de tudo para acertar, e mesmo que errem, não importa, não existe mais neste contexto culpados, apenas pais de verdade que merecem nosso respeito.

 

 

(Carlos Alberto Hang, jornalista – 03991/SC, psicólogo com formação ainda em filosofia, psicanálise, pós graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil, Terapia Cognitivo Comportamental, Psicologia do Esporte, Psicologia Clinica e Comportamental, PNL – Programação Neurolinguística, Depressão Infantil, Promoção da Saúde e Prevenção de Drogas (UFSC), Prevenção de Drogas, Codependentes: Pais na Prevenção ao Uso de Drogas, Saúde Mental e Dependência Química, Terapia Familiar e de Casal, Coaching, Mentoring, Educação Sexual e Sexualidade, Neuropsicologia, Saúde do Adolescente, e afins)

Facebook Comments

About Carlos Alberto Hang

Carlos Alberto Hang
CARLOS ALBERTO HANG: Escritor e jornalista (03991/SC) também com formação em Psicologia, Filosofia, História, Teologia, Psicopedagogia, Letras e Literatura, Gestão de Pessoas, Gestão de Marketing, Gestão Ambiental, Psicologia do Esporte, Psicanálise, Psicologia Clínica e Comportamental, Nutrição Clínica e Funcional, Coaching, Recursos Humanos,Jornalismo Digital, Logística, Adm. De Hotéis, Relações Internacionais, Promoção de Saúde e Prevenção de Drogas, Gestão na Administração Pública, Técnico de Segurança do Trabalho, Piano, Linguagem Musical, História da Música, Gastronomia, Inglês, Italiano e Espanhol, é Embaixador pela Cercle Universel des //Ambassadeurs de la Paix (Genebra/Suíça), é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de MG na cadeira 148. Instagram: @carlosalbertohang Twitter: @hangjornalista FACEBOOK: @opiniaodeumlivrepensadorbyHANG. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
error: Todos os direitos reservados - Aconteceu em Joinville