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Oferecida pelo SUS, vacina pode prevenir diferentes tipos de câncer, mas percentual de meninos e meninas imunizado ainda é pequeno. Médica Natacha Machado chama a atenção para a responsabilidade dos pais

Vacinação contra o HPV está abaixo da meta

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Disponível na rede pública de saúde para meninas entre 9 e 14 anos e meninos dos 11 aos 14 anos, a vacina contra o vírus HPV ainda não ganhou a importância que merece. No Brasil, a cobertura vacinal está abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Na primeira dose, não chega a 60% e cai para menos de 40% na segunda dose.

De acordo com a ginecologista Natacha Machado, o dado é alarmante. “O papilomavírus humano, o HPV, tem grande incidência na população sexualmente ativa. Estudos indicam que já na primeira relação sexual, a chance de ter contato com o vírus é de 20%. Em três anos, esse percentual sobe para 54%. Por isso é tão importante que os pais vacinem seus filhos antes do início da vida sexual, protegendo-os para o futuro”, explica a médica.

Pensando no caráter preventivo das doenças causadas pelo HPV, como o câncer de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe (boca e garganta), além de infecções como o condiloma (verrugas anogenitais), o Ministério da Saúde oferece a vacina gratuitamente desde 2014 para pré-adolescentes ou, conforme solicitação médica, para pacientes com HIV, transplantados ou com doenças autoimunes.

Nem por isso, explica Natacha, outros grupos não devem se vacinar. Mesmo quem é sexualmente ativo ou já teve contato com o vírus tem benefícios se fizer a imunização. “Nas clínicas particulares, a vacina pode ser feita por mulheres em qualquer idade e em homens até 26 anos”, explica a ginecologista, lembrando que o HPV não causa sintomas e pode levar até 30 anos para se manifestar, dependendo da imunidade do paciente.

HPV, um vírus silencioso

No início deste ano, o jornalista José Roberto Burnier tornou pública a sua luta contra um câncer na base da língua provocado pelo HPV que, segundo ele, foi contraído ainda na adolescência. Foram cinco meses de tratamento, três sessões de quimioterapia, 33 de radioterapia e 18 quilos a menos. “Exemplos assim são mais comuns do que imaginamos, já que o HPV é assintomático”, lembra a médica.

Segundo a coordenadora do ambulatório de Patologia do Trato Genital do Hospital Hans Dieter Schmidt, as estatísticas revelam que mais de 60% das pessoas convivem com o vírus e podem ser transmissoras. Além disso, continua Natacha Machado, o câncer de colo de útero (causado em 99% dos casos pelo papilomavírus humano) vem aumentando entre mulheres cada vez mais jovens.

“A incidência da doença é maior em mulheres a partir dos 45 anos, mas temos visto muitos casos de jovens pacientes, por volta dos 30 ou 35 anos, com o diagnóstico deste câncer”, informa a especialista. Por isso, diz Natacha, é fundamental que as mulheres façam seus exames preventivos regularmente. “Nem toda lesão provocada pelo HPV é necessariamente um câncer, mas ao identificar o contágio, a paciente precisa fazer um acompanhamento mais rigoroso.”

Pais responsáveis, filhos saudáveis

Quando o assunto é a vacinação contra o HPV, Natacha é enfática em falar sobre a responsabilidade dos pais com a saúde e o futuro dos filhos. “Estamos falando dos únicos tipos de câncer que podem ser prevenidos com uma vacina e, infelizmente, as pessoas ainda relutam em levar seus filhos aos postos de saúde por medo ou desinformação.”

De acordo com a ginecologista e mestre em Saúde, um dos maiores erros dos pais é a crença de que a vacinação vai estimular o início precoce da vida sexual dos filhos. “Tomar medidas para prevenir doenças sexualmente transmissíveis não é estimular o sexo. Quanto mais informação os adolescentes tiverem, mais conscientes serão de suas escolhas e mais protegidos estarão”, enfatiza Natacha.

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About Graziela Lindner

Graziela Lindner
Graziela Lindner é jornalista formada pela Univali (Itajaí-SC). Natural de Joinville-SC, tem 20 anos de experiência. Trabalhou durante dez anos em jornal diário e atualmente mantém atividades nas áreas de comunicação corporativa, assessoria de imprensa, eventos e relacionamento com a mídia.
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