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VOGEL PAINÉIS
Young man smoking dangerous cigarette with toxic skull smoke

Opinião de um livre Pensador : By Hang: Tabagismo

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Este artigo informal a respeito do tabagismo tem como propósito maior provocar reflexão a respeito de mais esta prática humana, tão antiga quanto a humanidade por assim dizer, mas que veio tomando proporções diferenciadas de mazelas proporcionais a industrialização do fumo. Aqui, muito menos, se pretende dar lição de moral, ridiculizar alguém, menosprezar ou diminuir seja quem for, por ter nesta prática um mecanismo de suas buscas internas, desde o simples prazer que encontrou em fumar. Mas não podemos deixar de trabalhar esta temática e trazermos a público tais momentos de reflexão, mas mais do que tudo, de eterno apoio e respeito a todos os elementos envolvidos nesta questão.

Cigarro é considerado uma droga lícita e, como tal, esta livre o seu uso mediante certas condições estabelecidas por lei, as quais nem precisariam existir, se tivéssemos bom senso suficiente associado à consciência social. Nunca fumei cigarro e nem usei entorpecentes, mas compreendo adequadamente o assunto academicamente, sobretudo com minha formação em Dependência Química por Drogas Lícitas e Ilícitas, como cigarro, bebidas alcoólicas, remédios e entorpecentes, tendo sido diplomado pela UFSC.

Esta é a belíssima atriz Rita Hayworth interpretando Gilda, em filme de grande sucesso de 1946, que eu adoro por sinal. Até o início do século XXI ainda víamos muitos artistas fumando e as empresas tentando associar o ato de fumar com glamour, elegância, modernidade, bom gosto, erudição, beleza e juventude, quando ainda a ciência não tinha tanto conhecimento dos prejuízos desta droga lícita e a indústria de tabaco ainda comandavam o mercado a seu contento.

Outro mecanismo que problematizou o cenário de dependentes químicos do cigarro se deu devido aos tipos de comerciais que duraram até 2001, quando foi proibido a veiculação de anúncios de cigarros em todos os veículos de comunicação. Até aqui, os anúncios eram repletos de imagens associativas do uso de cigarro com mulheres e homens jovens e bonitos, masculinidade, sucesso, status social, glamour, esportes radicais da moda, sonho da liberdade, riqueza, natureza e etc.

Outra linha psicologicamente apelativa é a associação que se fazia de fumar com masculinidade, tanto que até hoje tem muitos homens que fumam para suplantar as dúvidas sexuais inconscientes que são detentores, tentando se sentir mais seguros. Isso ainda é tão forte que até hoje a sociedade não vê com bons olhos mulheres fumando, pois associam a masculinização da pessoa através deste ato.

Como ocorre com o uso doutras drogas, como entorpecentes e bebidas além do caráter social em uso, muita gente fuma por se sentir uma pessoa insegura, para se sentir participante de um contexto social onde fumantes prevalecem, se sentir aceita na sociedade ou ainda pela cultura familiar e social em que está inserida. A partir do momento que se torna mais maduro e seguro de si mesmo, vai perdendo o interesse por esta droga, mas começa outra luta dentro de si, a química, pois pode estar consciente de que fumar não é bom e realmente deseja parar, mas tem algo que o impede, e é algo realmente escravizante e que, na maioria das vezes, precisa de tratamento clínico em conjunto para ocorrer a libertação desejada.

Sim, é permito e o cidadão então tem direito de fazer o que quiser de sua vida, sendo o papel dos demais a conscientizações a respeito da problemática que acompanha tais práticas para a saúde, não somente do fumante, mas também do não fumante, ou chamado fumante-passivo. Vale salientar que não se está aqui, e nem se pretende, atacar ou diminuir seja quem for que faz uso do cigarro, pois não se trata disso, mas de alertar a respeito do que isso acarreta e, quem sabe ajudar a livrar deste malefício, até mesmo aliviando a situação econômica do fumante ao se libertar desta droga e do custo que ela lhe causa.

Nenhum fumante pode achar natural ou bom para si o ato de fumar diante de tantas informações negativas que cercam tal ação. Não condenamos o fumante, como já dissemos, mas desejamos que este seja forte para livrar-se deste ato, tão maligno para seu corpo e sua mente, e ainda disfarçado de prazer, o qual não é nada mais do que o substituto de uma falta interna, mas que sai caro demais para mantê-lo. Mas seja como for, respeitamos a decisão que vier a tomar a respeito.

Leia neste link o novo estudo a respeito de quem fuma um maço de cigarro por dia e saiba o que isso lhe acarreta: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/11/03/fumar-um-maco-por-dia-causa-150-mutacoes-em-cada-celula-do-pulmao-diz-pesquisa.htm

Temos que lutar para que os fumantes se livrem deste mal, que além de melhorarem sua saúde, eles irão economizar no bolso. É possível sim suplantar esta compensação de falta ou a transferir para ferramentas menos danosas, ou até produtivas para si mesmo e até para a Humanidade.

Fumar é uma ação que foi normatizada e, sendo assim, abusos de diversas ordens foram cometidos quanto ao uso, principalmente diante daqueles que não comungam com este hábito. Onde, quando e de que maneira fumar, são tópicos a serem analisados e estão repletos de regras para que não venha o usuário a prejudicar aos demais, pois da mesma maneira que uma pessoa não vê problema algum em flatular, não irá sair por ai flatulando em todo e em qualquer lugar, e nem diante dos demais.

Quanto ao bem estar, os interesses do coletivo deve estar sempre acima daqueles do campo individual ou de pequenos grupos, não sendo isto, de maneira alguma, falta de respeito ao diferente, mas a busca do equilíbrio, respeitando-se o desejo individual sim, mas deve este ir em ação até onde não venha a prejudicar aos demais.

 

O tabagismo hoje é amplamente reconhecido como doença crônica gerada pela dependência da nicotina, estando por isso inserido na Classificação Internacional de Doenças (CID10), da OMS. Sabe-se que o usuário de produtos de tabaco é exposto continuamente a mais de 4 mil substâncias tóxicas, muitas delas cancerígenas, conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Fumar envelhece precocemente, faz perder habilidades físicas e mentais, cria dependência disfarçada de tomada de decisão do próprio fumante por um suposto prazer dopaminérgico, etc.

Mas pior que tudo isso é o fumante impor aos que estão ao seu redor, os mesmos riscos que ele sofre, isto é, aos não fumantes, conhecidos como “fumantes passivos”. Então as regras devem ser rígidas e claras, pois a ação denota prejuízo de saúde de terceiros.

Cigarro: conheça os riscos do tabagismo…

Fumar em escolas, universidades, clubes, danceterias, bares, restaurantes, na presença de crianças e de jovens e de idosos, no trabalho e noutros ambientes sociais, até mesmo caminhando numa calçada ou dirigindo um veículo com passageiros presentes,  não se precisa de leis para tal impedimento, pois o bom senso deve ser a verdadeira lei, a qual está alicerçada no respeito ao mútuo, principalmente diante de um caso como o do fumo, que é provocador de doenças e de dependência, tanto química quanto psicológica, não sendo exemplo a ser seguido por ninguém, por se tratar de um ato nocivo e de dependência, quem sabe para preenchimento de um sentimento de falta, de insegurança pessoal ou de auto-afirmação.

Nunca me esqueço das campanhas do governo contra o tabagismo quando eu era ainda bem criança e tinham cartazes como este em tudo que é lugar, inclusive nas escolas, fazendo associação mental de que fumar é ruim, é brega, é cafona e etc… Pode ser até grosseiro aos politicamente corretos, mas funciona em casos de associação de ideias afins que promove o afastamento deste ato prejudicial a saúde de todos.

Agora, tratando de regras de ETIQUETA SOCIAL PARA FUMANTES, como sempre sinalizo, a base da etiqueta social diz respeito ao bom senso e ao respeito mútuo. Na questão do tabagismo aqui, não entraremos nas questões psicológicas e nas de saúde física que o envolvem, mas sim quanto ao comportamento social de um fumante. A etiqueta social está operando nesta área também, pois ela vai de encontro ao bem estar social, e sempre em defesa da saúde e do convívio equilibrado. Da mesma forma que respeita o direito do indivíduo de fazer o que deseja, entende que este aceite é limitado diante do momento que vem a prejudicar, direta ou indiretamente, terceiros. Que opere o bom senso sempre, pois isto sim é uma questão de elegância.

Nesta pauta sobre tabagismo, apresento as regras do “NUNCA” aos fumantes, pois estes devem sempre ter em mente que a ação de fumar não é saudável e muito menos exemplo a ser seguido pelos demais. Mesmo que a sociedade permita este vício e fonte de “prazer”, o mesmo deverá ter limitada sua ação diante do desconforto que possa vir causar aos não fumantes. Vejamos alguns itens que devem ser observados e respeitados pelos fumantes:

NUNCA acenda um cigarro à mesa de refeição.

NUNCA fale com cigarro na boca.

NUNCA fume em lugares que não sejam realmente arejados e sem presença de crianças, jovens, idosos e gestantes.

NUNCA coloque a carteira do cigarro embaixo da camisa e nem o cigarro preso à orelha.

NUNCA fume cigarros de outros (tragadinhas).

NUNCA fume sem pedir licença às pessoas ao seu redor, mesmo em ambiente livre para o ato de fumar.

NUNCA bata as cinzas em chavenas (xícaras), pires, copos e afins.

NUNCA peça cigarros às outras pessoas (se não tem como sustentar o seu vício, não o tenha).

NUNCA solicite que alguém acenda seu cigarro, muito menos filhos e não fumantes.

NUNCA acenda seu cigarro na brasa de outro cigarro.

NUNCA fume diante da presença de crianças, jovens, idosos, pessoas doentes e não fumantes.

NUNCA fume andando na rua, em restaurantes, shoppings, Igrejas, escolas e casas de saúde.

Estas dicas não ferem o direito ao individualismo, apenas operam em direção ao bem estar social coletivo. Para sermos respeitados devemos, primeiramente, aprender a respeitar o próximo, e compreender e aceitar os limites impostos  pelo bom senso acima mesmo da Lei, pois esta pode ser legal, mas nem sempre é moral.

Sinalizando algumas dicas importantes no que diz respeito ao convívio social de um fumante:

– O fumante nunca deverá fumar sem antes pedir licença aos presentes e, mais que isso, deverá atentar se a permissão dada foi natural, ou apenas para que ele não se sentisse ofendido.

– Caso ele perceba que realmente preferem que não fume, que então desvie o assunto e diga que deixará para fumar depois, sendo que isso dará créditos a ele diante dos demais, pois denota verdadeiro respeito ao outro mediante este sacrifício de não fumar.

– Em mesa de refeição, nem em sonho poderá fumar.

– Ao fumar, cuide com a direção da fumaça.

– Após fumar lave as mãos, pois é desagradabilíssimo darmos a mão a um fumante e depois ficarmos com o cheiro de cigarro na nossa.

– Nunca fale com o cigarro à boca.

– Se acompanhado estiver, fumar em seu quarto ou de hotel é terrível, se quiser, use a sacada ou área aberta da casa ou hotel.

– Jogar resto de cigarro no chão e ainda pisar sobre ele para apagá-lo, é de uma falta de elegância ímpar.

– Cinzeiros devem sempre estar limpos, pois do contrário, o cheiro ruim invade todo o ambiente.

– Evite usar fósforos para acender cigarros, pois eles deixam no ar um cheiro desagradável; portanto, prefira o uso de isqueiros.

– Finalizamos esta pauta sobre tabagismo dizendo que, se não consegue parar de fumar, use sempre de bom senso e respeito aos não fumantes diante deste seu vício. Isto, sim, é uma postura elegante e que merece respeito de todos nós.

Indico o filme, OBRIGADO POR FUMAR (2005),  que é uma comédia satírica da cultura de manipulação de informações (culture of spin). O protagonista é um porta-voz das fabricantes de cigarros, pago para defender os direitos dos fumantes duma suposta cultura neo-puritana. Este filme retrata, de maneira divertida, o que envolve a indústria do fumo, vigilantes de saúde, personagens políticos e mídia, formando estes uma engrenagem voltada aos próprios interesses, em detrimento do real bem estar do povo de fato.

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About Carlos Alberto Hang

Carlos Alberto Hang
Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931/SC) e jornalista (03991/SC), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz - Genebra - Suíça - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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