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VOGEL PAINÉIS
Os sintomas do TDAH aparecem com o comprometimento do funcionamento cerebral, como dificuldades com memória, concentração, impulsividade e hiperatividade

Opinião: Carlos Alberto Hang: TDAH

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Aparenta não prestar atenção adequada; interrompe as conversas alheias; ao ser questionado responde a pergunta sem a mesma ter sido totalmente formulada; faz questionamentos descontextualizados com o assunto abordado; é demasiado desatento; esquece constantemente dos compromissos ou objetos; não consegue prestar atenção por muito tempo numa única coisa; não fica quieto no mesmo lugar, ou se fica, movimenta partes do corpo; atrapalha aos que estão ao seu redor com sua agitação; tem dificuldade em finalizar seus projetos; etc. Conseguiu visualizar alguém?

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Pois bem, quem sabe esta pessoa seja detentora de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade). Esta é uma das doenças que mais está presente na conversa de muitas pessoas e em diagnósticos feitos pela lente leiga, principalmente de pais e professores. Mas falta, para muitos deles, muita informação a respeito.

Trata-se de uma desordem a nível químico no cérebro aonde os neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios) não são absorvidos adequadamente, fazendo assim com que baixe a atividade da parte frontal do cérebro, a qual é nosso filtro mental. Na alteração química no córtex pré-frontal ocorre à falta de dopamina e noradrenalina.

Os sintomas do TDAH aparecem com o comprometimento do funcionamento cerebral, como dificuldades com memória, concentração, impulsividade e hiperatividade. É uma síndrome (conjunto de sintomas) de base orgânica, um transtorno em associação a uma espécie de disfunção no Lobo Pré-Frontal (córtex cerebral). Conforme a classificação do DSM-IV existe três tipos de TDAH: Desatento, Hiperativo-Impulsivo e Misto ou Combinado. O Transtorno de Déficit de Atenção pode ocorrer com ou sem a hiperatividade.

Geralmente o diagnóstico é feito a partir dos 5 a 7 anos de idade, durante o período escolar, pois os sintomas ficam mais evidentes ao serem comparados com doutras crianças, como se colocam diante das novas exigências feitas e conforme seus rendimentos. Adultos também são portadores de TDAH, mas deve-se compreender que eles já tinham a doença desde a mais tenra infância, mesmo não diagnosticados, pois ninguém fica TDAH, mas é TDAH desde o nascimento.

O que ocorre é uma progressão sintomática na vida adulta. Um adulto com TDAH geralmente é uma pessoa que se esquece dos compromissos ou objetos, não finda seus projetos iniciados, tem baixa tolerância à monotonia, tem problemas em manter vínculos relacionais por tempo prolongado sendo alto o índice de divórcio entre seus pares, tem chances de ter depressão quatro vezes mais que outros, possui tendência ao abuso de bebidas alcóolicas e tem mais probabilidade de uso abusivo de drogas ilícitas, tem dificuldade em organizar o dia a dia, se manter num emprego, planejar o futuro, atrasa nos compromissos, se atrapalha na realização de seus projetos e atividades por acreditar que pode fazer tudo ao mesmo tempo ou por não ter noção clara do tempo que tem e nem foco nítido do que precisa fazer. Tudo isso pode gerar frustração, sua e dos envolvidos, bem como baixa autoestima e desânimo diante de novas metas.

Sintomas: desatenção ou tendência à dispersão; impulsividade e hiperatividade física. O paciente tem alta velocidade de pensamento, como se fosse um turbilhão de informações em sua cabeça constantemente, mesmo com a ausência de estímulos externos diversos.

Conforme o seu interesse pode ter grande foco sobre algo (hiperfoco) se desconectando do mundo à sua volta, que muitos diriam que estaria “no mundo das nuvens”. Um possível exemplo de uma ação comum de um TDAH é ele desejar tomar água e, ao ir buscá-la, parar diversas vezes durante o trajeto para ouvir uma música, ler um panfleto que encontrou, olhar uma planta e etc., quando não acaba esquecendo-se do que foi fazer de fato.

Mitos: muitos acreditam que a superestimulação que as crianças e jovens tem vivenciado é promovedora da doença, o que não é um pensamento totalmente correto, pois é uma doença de ordem neurofisiológica e genética, mesmo que fatores externos possam ter alguma participação, mas não diretivos ou como promovedores da síndrome.

Alguns pais dizem não acreditarem que seus filhos tenham TDAH e que, o que ocorre, não passa de um comportamento apenas inadequado, pois afirmam que, quando interessa aos filhos (como videogame) ficam horas concentrados, mas isto se dá por se tratar de uma ação que realmente evoca o interesse do filho e sobre isto consegue criar maior foco, mas o problema pode estar com as rotineiras atividades normais do seu dia a dia. Claro que, principalmente crianças e jovens, são geralmente inquietos, desatentos e impulsivos, mas o que sinaliza o distúrbio é a intensidade desta tríade sintomática.

Outro mito é acreditar que só meninos têm TDAH ou que seja a maioria. O que se tem de diferença neste caso é que, na fase escolar, as meninas não têm tantas atitudes tão evidentes aos olhos desatentos dos adultos, como a hiperatividade, mas têm problemas de concentração e de atenção ímpares.

Culturalmente, as meninas têm atitudes mais comedidas socialmente. Outro mito comum é afirmar que um portador de TDAH pode ser um gênio em determinado assunto, chegando alguns a sinalizarem que Einstein teria esta doença (não provado).

Mas, mesmo que realmente venha a se destacar em algo, se não fosse a doença ele poderia ir muito mais além. Grande mito é acreditar (principalmente aos que têm hiperatividade associada) que basta somar atividades esportivas, onde ocorrem gastos maiores de energia, para que venham a se acalmar e melhorará o quadro. Outro mito é tomado diante daqueles que negam o uso medicamentoso como tratamento e acreditam que apenas uma psicoterapia poderá ser suficiente.

Outro engano é achar que se trata de uma nova doença, pois ela já foi descrita no século XVIII. Também tem quem pense ser algo ligado às questões geográficas, mas a mesma percentagem de casos tem no Brasil, assim como na China, na África, na Índia, etc., logo, indiferente está ao estilo de criação e de vida.

Mesmo sendo de caráter hereditário, pesquisas apontam que mães que fumam durante a gestação têm filhos com chances maiores de desenvolvimento do TDAH. Interessante que muitos pais só descobrem que são TDAH quando levam seus filhos para a clínica ou ainda pela fala de um dos genitores durante a anamnese (entrevista) com o psicólogo ou neuropsiquiatra ao dizer, por exemplo, que “o filho é igualzinho ao pai em comportamento”, abrindo assim um diagnóstico possível de quem herdou a doença.

Tratamento: se dá de forma medicamentosa, podendo ser associado à terapia, principalmente a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), a qual ajudará ao paciente a se perceber, a conhecer suas limitações e a organizar sua vida diária. Mas só psicoterapia não é um tratamento adequado, logo deve estar associado ao tratamento com um neuropsiquiatra.

Mesmo não se tratando de uma panaceia, como muitos querem acreditar como tal, o estimulante metilfenidato (Ritalina) funciona como um maestro no cérebro e estimula a produção dos neurotransmissores. Alguns estranham o uso de estimulante para quem tem TDAH, mas o que a medicação faz é também organizar as atuações de áreas específicas do cérebro, estimulando as que realmente se fazem necessárias em determinado momento.

É uma doença que afeta uma a cada vinte pessoas, não tem cura e tem 80% de origem genética, podendo ser deixada de lado a medicação depois de certo tempo de uso, conforme o neuropsiquiatra sinalizar.

Não é temeroso ser portador de TDAH, o que é gravíssimo é não tratar da doença, pois pode desencadear depressões, angústias, fobias de diversas, acidentes, gafes sociais, problemas relacionais, entre outros sintomas que venham a dificultar a vida do portador e de quem faz parte dela. Mas mediante um adequado diagnóstico e posterior tratamento, sua vida segue praticamente como a dos demais.

(Texto de autoria de Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931) e jornalista (03991), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz – Genebra – Suíça – Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.

About Carlos Alberto Hang

Carlos Alberto Hang
Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931/SC) e jornalista (03991/SC), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz - Genebra - Suíça - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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