Últimas notícias
Home » Carlos Alberto Hang » Opinião: Carlos Alberto Hang: Michael Jackson, o Mito
VOGEL PAINÉIS
American singer Michael Jackson at his California home. (Photo by Kim Kulish/Sygma via Getty Images)

Opinião: Carlos Alberto Hang: Michael Jackson, o Mito

Apesar de Augusto Comte ter criticado os mitos, é através deles que a realidade vivida por nós é explicada, mesmo que até diante da ciência, na qual depositamos imensa confiança, tem muito de mitológica, principalmente quando esta se isola dos demais conhecimentos e busca em si mesma responder ao sentido de ser do mundo, pois razão e mito não são pares excludentes, mas complementares entre si mesmos.

Participe do Facebook  Aconteceu em Joinville – Clique Aqui

Siga-nos também no Instagram!  Aconteceu em Joinville – Clique Aqui!

Faz 10 anos de falecimento de Michael Jackson, e é sobre ele que dedicaremos o artigo de hoje. Não podemos cair num reducionismo delirante diante do entendimento do que representa e foi este artista. É deveras incoerente querer compreender, conceituar ou interpretar um artista, seja ele quem for e de que arte fizer parte, pois ao artista não se interpreta, porque é ele que interpreta a nós através de sua atuação, bem como cabe ao mesmo sair do lugar comum e sinalizar o que podemos vir a ser além do que já somos e ainda  fazer por nós o que em nós se encontra recalcado, vindo assim a preencher o sentimento de falta que carregamos em nós.

 

Voltando a Michael Jackson, alguns querem justificar suas ações dizendo que estas se deram devido ao mesmo ter tido um pai cruel, que batia nele e dele exigia comportamento de adulto já desde a mais tenra idade, mas isto também é do campo reducionista para se chegar a uma resposta que não tem uma origem comum, mas trata-se de conexões diversas que se impõe, se interligam e se sobrepõe diante de sua  constituição acional.

 

 

O fenômeno Michael Jackson não pertence aos norte-americanos, mas ao mundo, sendo que cada nação o vê de maneira peculiar, sendo que é assim que este se constitui num mito e está longe de um ser estigmatizado pela mídia apenas. O que é relevante atentar com sua morte, é que esta se deu diante de um momento de reinício e, como não sabemos ao certo como este viria a ser, pois não teremos nem oportunidade de criticar diretamente o que não foi e nem o será, temos aqui um mecanismo facilitador do fortalecedor do Mito Michael Jackson, pois teremos em mente as possibilidades do que poderia vir a ser e não do que seria caso o fosse, o que reforça o mito.

Seja nos consultórios, seja diante doutros “genuflexórios” das lamentações humanas, encontramos a criatura humana em geral buscando lidar com suas dores e suas faltas, dentro do que podemos chamar de um sistema de socialização da dor, mas temos os casos em que se busca lidar com o talento, com aquilo que o faz destacar dos demais, do que gostariam possuir e o admiram por isso. Lembremos agora de Susan Boyle (lembram dela ainda?), a qual teve uma imagem projetada de uma hora para outra e associado o talento a uma imagem física fora do padrão de beleza sinalizado pela mídia como ideal, que da mesma força foi destituída de sua posição substituindo o talento pela doença psiquiátrica colocada a público.

Alguns ainda dizem que a geração atual não tem postura, nem atitude e não faz nada para mudar o mundo como as anteriores. Isso é uma grande falácia, pois cada geração faz o que tem que ser feito dentro do contexto em que ela faz parte, não existindo melhor ou pior geração, mas gerações que usam ferramentas diferenciadas para atuar. O que podemos dizer desta época, é que em nossos dias, ou você se responsabiliza plenamente pelo que é, suportando o peso que isto acarreta, ou assume uma postura genérica de ser. O psicanalista Jacques Lacan já dizia que “de nossa condição de sujeito somos sempre responsáveis”.

Poderíamos então conceituarmos como negativa a ação de vivermos sobre a expectativa do outro, buscando ser o que acreditamos que o grande outro deseja que venhamos a ser, vivendo com receio de não sustentarmos suficientemente o que este outro quer de nós. Até mesmo os heróis hoje já não usam mais de visual e forças físicas para sustentar suas posições como outrora, mas estas são alicerçadas e promovidas através do questionamento social que promovem.

 

Isso Michael Jackson soube fazer, tendo uma vida repleta de indagações e dúvidas provocadas de toda ordem, colocando constantemente em xeque o que é do campo real e do que é do imaginário, assim como do que é pertencente a uma ação de um ser adulto e do que é de uma criança, sendo inclusive considerado detentor da Síndrome de Peter-Pan, onde diziam que ele negava assumir uma postura madura, sendo que até mesmo esta postura madura que se referem podemos colocar em dúvida do que venha a ser de fato diante da obra que ele promoveu. Abuso sexual provocado ou vitima da ganância humana pelo dinheiro de um ídolo? Não teremos como saber e, como diz a Lei que “somos inocentes até que se prove o contrário”, nisto nosso Mito está inocentado e, seja como for, não se perde sua obra devido a problemas de ordem humana individual.

 

Um mito não se estuda, se vive um mito. O Michael Jackson, através de sua arte, deixou o campo mortal de lado para dar lugar ao homem-mito, afinal, como diria Nietzsche “Ars existit ne veritas nos destruat.” (A arte existe para que a verdade não nos destrua.).

 

 

 

 

 

 

(Texto de autoria de Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931) e jornalista (03991), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz – Genebra – Suíça – Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.

About Carlos Alberto Hang

CARLOS ALBERTO HANG: Escritor e jornalista (03991/SC) também com formação em Psicologia, Filosofia, História, Teologia, Psicopedagogia, Letras e Literatura, Gestão de Pessoas, Gestão de Marketing, Gestão Ambiental, Psicologia do Esporte, Psicanálise, Psicologia Clínica e Comportamental, Nutrição Clínica e Funcional, Coaching, Recursos Humanos,Jornalismo Digital, Logística, Adm. De Hotéis, Relações Internacionais, Promoção de Saúde e Prevenção de Drogas, Gestão na Administração Pública, Técnico de Segurança do Trabalho, Piano, Linguagem Musical, História da Música, Gastronomia, Inglês, Italiano e Espanhol, é Embaixador pela Cercle Universel des //Ambassadeurs de la Paix (Genebra/Suíça), é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de MG na cadeira 148. Instagram: @carlosalbertohang Twitter: @hangjornalista FACEBOOK: @opiniaodeumlivrepensadorbyHANG. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
error: Todos os direitos reservados - Aconteceu em Joinville