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VOGEL PAINÉIS

Opinião: Carlos Alberto Hang: Hetero BI-Curisoso e sua sexualidade

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Já sinalizei diversas vezes em meus artigos que se trata de um erro deveras grave que muitos cometem ao tratar a sexualidade como se fosse uma simples questão de “opção sexual”. Não se trata de um teste de múltipla-escolha mas de uma orientação sexual que remete a certo objeto de desejo, sendo esta orientação construída durante nossas relações sociais desde a mais tenra infância.



ue pessoal em se rotular sexualmente, além do mais, toda vez que nos rotulamos a respeito de algo nos tornamos reféns do rótulo que tomamos para nós e que, muitas vezes, nem nos pertencem de fato mas foram tomados por pressão social apenas ou por alguma insegurança pessoal. As questões sexuais hoje são vistas como sexualidades, palavra pluralizada diante das diversas formas que estas operam dependendo de indivíduo para indivíduo. As mais comuns orientações sexuais são de heterossexualidade, homossexualidade e bissexualidade.

Uma categoria que tem comparecido fortemente em nossa sociedade é a dos que se intitulam de bicuriosos.

Tratam-se de heterossexuais que possuem relacionamentos homoafetivos ocasionais, o que não os fazem ser menos heterossexuais por isso e nem os tornam bissexuais. Bissexuais buscam satisfação em ambos os sexos sem necessariamente desejar mais mulher do que homem e vice e versa e busca os dois sem preferência. Já os bi-curiosos gostam mesmo do sexo oposto mas se permitem experiências com o mesmo sexo, mesmo que esporádicas, o que não os tornam bissexuais pelo explicado acima e muito menos homossexuais, pois a preferência é pelo sexo oposto.

Alguns chegam a ter relacionamento sério com o mesmo sexo, mas finalizado retornam ao contato heterossexual. Lógico que o envolvimento com o mesmo sexo é um ato homoafetivo pois se trata de dois seres do mesmo sexo, mas isso não os fazem homossexuais de fato por isso pois suas mentes tem como objeto de desejo o sexo oposto de fato.

Alguns homossexuais querem taxar os bi-curiosos como homo por terem sentido prazer em se relacionar com o mesmo sexo, mas isso se dá por uma capacidade limitante de entendimento de como funciona a mente humana ou até mesmo por um desconforto da própria sexualidade do crítico que tenta nomear o outro como ele mesmo para se sentir melhor com isso.

Se fosse desta forma um homossexual que tivesse tido relacionamento com o sexo oposto se tornaria heterossexual? Clinicamente tive vários pacientes homossexuais que tiveram diversas relações heteros por vários motivos e nem por isso deixaram de ser homossexuais, claro.

Muitas vezes os bi-curiosos são heterossexuais muito seguros de sua condição sexual, tanto que não se abalam psicologicamente com alguma relação esporádica com o mesmo sexo. Da mesma maneira que um heterossexual com grande aversão ao homossexualismo possa sinalizar um certo descontentamento com sua heterossexualidade ou até mesmo pela dúvida inconsciente a esse respeito.

Não são poucos os casos de início da vida sexual de adolescente através de contato com o mesmo sexo, de uma simples brincadeira masturbatória até uma relação mais ampla, geralmente com amigos íntimos ou parentes próximos, como primos. Mas nem de perto diz respeito a uma orientação homossexual mas sim um tipo de experiência sexual diante de um corpo que explode em hormônios comuns nesta fase.

Seja como for, as questões de sexualidade é individualíssima e cada qual responde de uma maneira muito particular a ela conforme suas experiências pessoais vividas desde a mais tensa infância, suas questões culturais e religiosas e de conforme a geração a que pertence. Não cabe a nenhum de nós julgar diretamente estas questões salvo tentativas de compreensão.

Da mesma forma que temos o direito de considerar adequada ou não a postura sexual da outra pessoa, temos também a obrigatoriedade de não ultrapassar a linha tênue do bom senso e do respeito diante das questões que diz respeito ao mundo do outro. Muitas vezes a preocupação demasiada com o estilo da sexualidade alheia diz respeito a uma sexualidade mal resolvida do próprio crítico e projeta suas frustrações nas atitudes daquele que acaba fazendo o que ele gostaria de fazer mas não aceita, mesmo que inconscientemente seja isso.

Se estamos bem com a nossa sexualidade, a do outro não nos incomoda e muito menos nos ameaça, considerando correta ou não, que é um direito pleno de opinião que todos têm. Já se incomoda tanto a sexualidade alheia é bom que se procure um bom divã terapêutico para resolver estas questões mal elaboradas em si mesmo, seja que desculpa dê para isso.

Sim, um heterossexual de fato pode ter relacionamentos sexuais com o mesmo sexo sem deixar de ser um heterossexual sendo casos isolados de envolvimento.

Além do mais muitos heterossexuais buscam ter experiências com o mesmo sexo mais por curiosidade do que por desejo de fato, tanto que muitos abandonam as experiências após poucas relações com o mesmo sexo ou as tem muito ocasionalmente, pois na verdade suas mentes buscam o sexo oposto em primazia.

Mas como bem foi afirmado acima, a questão sexual é de caráter individualíssimo e cada um lida com ela de acordo com suas potencialidades cognitivas, sociais e psicológicas e ninguém deve forçar ninguém a nada e muito menos tem direito de criticar as atitudes alheias desde que elas não estejam prejudicando ninguém na sociedade.

Seja como for, nada como manter a mente aberta ao novo e ao mundo da possibilidades de vir a ser, nem que esta abertura seja apenas enquanto pensamentos, do que ser uma pessoa que se acha superior a todas as demais que não pensam e atuam como ela e se acha no direito de fazer o outro ser como acredita que ele deva ser.

Qual o certo? ser uma pessoa que busca ser feliz e oferece felicidade ao outro, que se respeita e respeita ao outro, que mesmo não concordando com as atitudes do outro o respeita e não o julga, e que só tem uma preocupação para além disso tudo, não prejudicar ninguém na sociedade.

About Carlos Alberto Hang

Carlos Alberto Hang
Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931/SC) e jornalista (03991/SC), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz - Genebra - Suíça - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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