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VOGEL PAINÉIS

Opinião : Carlos Alberto Hang: A Carroça Vazia…

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Por que será que a sociedade urbana tem ficado cada dia mais barulhenta e agitada? Antes de adentrarmos à temática aqui proposta, tratarei a respeito do seu título, o qual se trata de um conto conhecido da maioria de nós.

Quando estamos em uma estrada rural e começamos a ouvir um barulho que aumenta a cada instante que se aproxima e percebemos se tratar de uma carroça conforme a intensidade do som, logo podemos afirmar que diz respeito a uma carroça sim, mas vazia. Como sabemos que está vazia? Pois se assim não o fosse não faria tanto barulho. Assim são as pessoas: quanto mais suas mentes estejam vazias, mais barulho elas fazem.



ário. Lembro-me, neste instante, de meu professor particular de inglês, um britânico, o qual me chamou atenção por usar sempre um mesmo tênis muito simples, uma mesma calça jeans e uma camiseta tradicional em quase todas as aulas. Mas ele era um depositário de cultura ímpar, tendo ainda uma posição financeira privilegiada e viajara o mundo.

Mas para uma visão tupiniquim simplória, o veríamos como desprovido de bom senso ou pessoa sem sucesso na vida. Os valores deste britânico estavam alicerçados noutros campos de coerência maior. Outras ferramentas usadas por “mentes vazias” é ser agressivo, discutir e gritar demais, falar alto constantemente como se colocasse acima de qualquer um em dominação nos diálogos.

A maioria de nós geralmente tem seus valores baseados no ter em detrimento do ser. A cultura geral é ínfima, mas possui carro do ano, televisor de última geração, vestimentas de grifes caras diante do seu potencial financeiro e gasta muito além do que pode com festas e bebidas. Por que será? Não seria um preenchimento de um espaço vazio interior? Um mecanismo de busca de superação de sentimentos de inferioridade que se enfrenta diante do espelho de sua consciência ou falta dela?

O irônico é que, estas mesmas pessoas que passam a investir sem medidas nestes segmentos, são quase as mesmas que nunca ou raras vezes entraram numa livraria para comprar um livro (não falo aqui somente dos de autoajuda e dos de teor religiosos, é claro). Ainda evitam investir em boas escolas, fazendo então de contam que aprendem, enquanto os professores fazem de conta que ensinam, chegando ao final do curso com o certificado sim, mas apenas diante de uma questão burocrática do “faz de conta que eu mereço estar formado”, mas claro que, investimentos numa formatura faraônica, isto sim o fazem. Investimentos em educação não se veem capazes, mas sobre seus pés repousam tênis que custam de um a dois salários mínimos, dentro de seus bolsos celulares da moda e etc. de futilidades diante de suas reais necessidades formativas.

Conhecer somente a maioria das marcas e modelos de carros; das bandas e vida dos atores; saber de cor letras de músicas patéticas, bem como suas coreografias que mais parecem rituais de acasalamento primitivos; entre outros exemplos, fazem parte do repertório e prioridades da maioria da existência dos brasileiros, mas saber a respeito de cultura em geral e informações importantes que corroboram para a elaboração mental e visão de homem e de vida, para isso não tem espaço e nem tempo disponível.

A maioria das próprias religiões é alienante, onde seus fiéis passam horas entoando hinos barulhentos, mas pouco de conhecimento de fato oferecem a respeito de seus ritos e doutrinas. E temos os programas televisivos de maiores audiências na TV aberta onde passam horas e horas de suas vidas a consagrar besteiróis de diversas ordens.

Responda sinceramente a ti mesmo: quantas pessoas conhece, seja da família ou amigos, que ofertam conhecimento cultural, tem uma conversa que vai além do que é fútil, te faz indagar sobre seus próprios conceitos e estilos de vida e sente crescer diante de seus discursos? A cobrança maior ainda está nas universidades e ditos meios de promoção cultural, pois nestas também vemos o senso comum na maioria de seus personagens, do corpo discente ao docente.

É realmente um cenário digno de lamentação, mas se quisermos melhorar este quadro, que comecemos em nossos lares, lembrando sempre que o exemplo convence e promove maiores mudanças que a maioria dos discursos, logo que tomemos ações afins. E a sua carroça anda muito vazia e, consequentemente, deveras barulhenta?

(Texto de autoria de Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931) e jornalista (03991), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz – Genebra – Suíça – Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.

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Carlos Alberto Hang
Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931/SC) e jornalista (03991/SC), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz - Genebra - Suíça - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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