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VOGEL PAINÉIS

Opinião: Carlos Alberto Hang: O grande baile de máscaras…

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Na Grécia Antiga, a máscara que os atores usavam recebia o nome de persona, a qual tinha função de sonorização e de indicar o estilo de interpretação que o ator desempenhava. Quando nascemos, iniciamos nossa atuação no grande palco da vida chamado Planeta Terra, onde passamos a nossa existência interpretando impulsionados, seja pelo consciente ou pelo inconsciente, sendo nosso grande público, a sociedade, que nos aplaude ou nos vaia conforme a leitura que ela faça e conforme nossa atuação esteja de acordo com as próprias convicções sociais padronizadas como adequadas por ela.



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Durante nossa vida usamos diversos tipos de máscaras e quanto mais tempo permanecemos com elas, menos sabemos onde se estabelece a linha tênue entre o que faz parte de nossa essência como tal e o que não faz, pois conforme o tempo de uso, nossas máscaras parecem vir a fazer parte de nossa personalidade, chegando até a crermos serem elas inatas, justificativa esta para permanecermos com ela como um “não Eu real”.

Algumas das máscaras que mais comumente usamos são: da bondade, de vítima, de injustiçado, de humilde e de coitado, mas não poucas das vezes, se esconde uma criatura deveras perversa atrás deste mundo das aparências. Com o decorrer do tempo, devido às conveniências, o ser-humano vai substituindo algumas de suas máscaras para conseguir o que deseja, para conquistar o outro ou obter algum proveito, assumindo máscaras de medo, de santo, de incompreendido, de fraco ou de forte, buscando com isto, persuadir o outro para que sustente seus desejos mais internos e imediatos.

Mas poucas são as pessoas que têm consciência plena de estarem fazendo uso de máscaras, principalmente pela falta de conhecimento maior a respeito delas mesmas devido a uma fuga constante do exercício do nosce te ipsum em busca de si mesmo.

Alguns consideram verdadeiros “loucos” aqueles que arrancaram suas máscaras e conseguiram vir a serem eles mesmos, sem se preocuparem com o que os outros pensam a seu respeito. O magnífico pensador libanês que tanto amo, Gibran Khalil Gibran, inicia seu livro “O Louco” falando a respeito da alegria suprema que é o momento em que nos libertamos de nossas máscaras e andamos “desnudos” pela vida, mostrando quem realmente somos para o mundo e para nós mesmos.

Quantos, mesmo pagando caro por isso, passam a vida sustentando suas máscaras como de perfeito, de correto, de equilibrado, de honesto, de suas questões sexuais, de puro, de digno, de inteligente, de religioso, de vítima entre outras, mesmo que o preço venha a ser a busca de canos de escape para libertar a pressão interna, que na maioria das vezes se dá através de relacionamentos conturbados, seja no campo social, seja no âmbito familiar ou de teor íntimo, ou ainda excessos doutras ordens.

Sabemos que não é nada fácil e muito menos se trata de um processo rápido, mas sair mentalmente um pouco do palco e vir a ser espectador de si mesmo para que possa vir a ter uma maior definição a seu respeito, para perceber o que lhe pertence de fato, é um esforço incomensuravelmente tremendo, mas necessário para aqueles que buscam a verdadeira liberdade, luz e vida vivida, pois como bem o sabemos, é apenas a verdade que liberta, parafraseando termos bíblicos, os quais são plenos de coerência quando se trata da busca de si mesmo.

Uma viagem através das profundezas de nós mesmos passa a ser de caráter urgente e necessário para aqueles que buscam se conhecer, e aí encontrar-se-á realidades que exigirão esforço proporcional à liberdade que se busca de poder ser a si mesmo, sendo assim, por ser deveras difícil, muitos apelam para o contínuo uso das máscaras, negando a si mesmos ou ao que descobriram serem de fato.

Vale destacar aqui que “descobrir” é tirar o que encobre algo, sendo neste caso, nossas máscaras. Mas, aos corajosos de se enfrentarem cabem os louros da verdadeira liberdade de saberem quem são de fato e de agirem sendo eles mesmos, e mesmo que venham a representar em seus dias com o uso de máscaras, têm plena consciência de que se trata apenas de uma representação, tendo controle de sair do papel quando bem entendem.

Ao nos apreciarmos sem nossas clássicas máscaras usuais, precisamos aceitar a nós como de fato somos e o que não nos agrada procurarmos modificar o que pode ser modificado e a amarmos o que não pode ser mudado, mutatis mutandis. Entendemos que para a própria sobrevivência no mundo em que vivemos é primordial em muitos casos fazemos uso de máscaras, mas que tenhamos consciência que aquela máscara não somos nós de fato, assim como usamos determinados estilos de roupas conforme o compromisso que temos, mas entendemos que não somos as roupas que trajamos. Nós não somos o terno que usamos mas nem por isso o dispensamos conforme as necessidades ou este perde seu valor de ser o que é para nós. Assim como não somos limitados a casa em que residimos, o carro em que nos locomovemos e etc., mesmo que isso tudo faça parte de nós como ferramentas necessárias ou nem tanto como são algumas vezes. Estamos para além deste mundo de aparências.

Augusto Boal afirma que todos nós atuamos, com a diferença de existir entre nós atores e não-atores, sendo que os não-atores atuam sem consciência de que estão atuando, enquanto os atores sabem quando estão atuando e conseguem sair do personagem quando o momento pede, pois estes tem consciência de si mesmos e do que seja apenas um papel a representar, sendo a consciência de si e do outro importantes neste processo.

Que nossas 7 máscaras sejam arrancadas e que possamos nos ver nus diante do espelho de nossa consciência, aprendendo a nos amarmos como de fato somos e para vir a atuarmos em grande estilo neste faustoso baile de máscaras que é a nossa vida enquanto realmente vivida como tal. 

(Texto de autoria de Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931) e jornalista (03991), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz – Genebra – Suíça – Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.

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Carlos Alberto Hang
Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931/SC) e jornalista (03991/SC), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, espanhol, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz - Genebra - Suíça - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville - Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo) e membro honorário imortal da Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais na cadeira 148. Só permitida a veiculação ou uso do texto acima mediante a nomeação do jornalista e autor do mesmo.
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