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Artigo: Carlos Alberto Hang – Felizes para Sempre

Carlos Alberto Hang

Em escavações perto da cidade de Mântua, arqueólogos italianos descobriram esqueletos humanos que morreram abraçados cerca de 5 mil anos atrás. Sejam namorados, casados ou amigos, sejam portadores de órgãos sexuais masculino ou feminino, a imagem acima nos mostra, com grande efeito visual, o afeto maior de cada qual, até mesmo diante de um momento trágico ocorrido, provavelmente uma erupção vulcânica ou algo afim.

Mesmo no “the end” deles, sentimos a energia da felicidade em morrerem juntos. Quantos de nós teríamos alguém, seja quem for que estaria disposto a finalizar sua existência ao nosso lado desta maneira? Quantos casais estariam divididos, neste momento, correndo cada um por si procurando salvar a si mesmo?

Quantos de nós, principalmente os casados, já sentiram um amor em tal plenitude, amor este que tudo suplanta e suporta? Em nossos dias, muitos casais estão se unindo no “que seja eterno enquanto dure esse amor“. Rever conceitos e estruturas familiares e sociais, eis a questão a ser posta de frente, bem como o que é realmente o amor e como este se manifesta como tal.

Aliança é um anel utilizado para simbolizar união afetiva entre duas pessoas ou um pacto objetivando a realização de fins comuns, uma verdadeira e sagrada aliança que o anel propõe com seu aceite e usado por ambos os elementos envolvidos. Percebamos que uma aliança não tem início e nem fim, é inteira, integrada, não acaba, como deve ser o amor que uniu o casal. As pessoas só devem ser usuárias de alianças mediante um sentimento de acordo com o que elas representam, pois do contrário, é tolice ou não passam de adornos.

Muitos namorados também usam “aliança de compromisso” como se fossem troféus ou muletas de sustentação de suas dúvidas existenciais, sexuais, compensação de sentimentos, de insegurança ou ainda status social, mas longe às vezes podem estar de um elo realmente em comunhão entre o casal.

É a partir do momento em que temos consciência de que somos responsáveis pelo outro que cativamos e estamos dispostos a dividirmos a nós mesmos com este outro, numa integração mútua, numa lei do dar sem cobrar ou sequer pensar em receber algo em recompensa, estamos prontos a criar uma aliança e podemos sim, usar este símbolo material. Do contrário, não passa de mais um enfeite sem sentido maior e sem garantia ou representatividade alguma de união real.

 

(autor William Adolphe Bouguereau (1825-1905); obra: A Young Girl Defending Herself Against Eros; 1880).

Cupido era um deus romano identificado com Eros e conhecido como Amor, sendo representado por um menino alado, o qual carregava um arco e setas, encarnando paixão e amor em todas as suas manifestações. Filho de Vênus (deusa do amor) e de Mercúrio (mensageiro alado dos deuses) disparava sobre o coração de humanos e deuses suas flechas. Interessante saber que o Cupido teve um romance com a princesa Psique, que personificava a alma.

Júpiter (pai dos deuses), conhecendo as perturbações que provocaria Cupido, tentou obrigar Vênus a se livrar dele após seu nascimento, mas foi escondido num bosque. Amor e paixão eram despertos em quem se feria com as setas atiradas por Eros. Já foi representado com uma armadura semelhante à que usava Marte (deus da guerra), provavelmente por estar simbolizando a invencibilidade do amor.

Ás vezes era apresentado como insensível, descuidado e benéfico devido à felicidade que proporcionava, sejam aos casais mortais ou imortais, noutras vezes era visto como malicioso diante das combinações que articulava orientado pela própria Vênus.

A paixão pode ser linda em verso e em prosa apresentada e vivenciada, mas não pode ser confundida com o amor, principalmente com o que Nietzsche nomeava de amor fati, o qual diz que amar é “não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não é só suportar o que é necessário, mas amá-lo”, isto é, amor como o ser se apresenta e como tal comungar o sentimento de amor.

Quem ama não exige mudanças, aprenderá amá-las se ocorrerem ou não perderá o amor por causa delas. Vemos muitas mães, em relação aos seus filhos, com este tipo de amor, o que já é mais difícil entre casais o encontrarmos. Não é suportar o outro devido à aliança feita, mas amá-lo sobre qualquer circunstância.

Erich Fromm (1900-1980) dizia que “se eu amo o outro, sinto-me um só com ele, mas com ele como ele é, e não na medida em que preciso dele como objeto para meu uso”. Só relacionamentos alicerçados no amor doação, onde reina respeito mútuo, fidelidade física e mental e busca do aperfeiçoamento integral de ambos, seguirão em frente como tal.

 

O amor se personifica como tal quando se busca uma completude existencial com o outro e não como um ilusório preenchimento de um espaço vazio, feito cara metade, o que nos remete ao mito de Andrógino que podemos ler na obra “O Banquete” de Platão, onde existia um mesmo ser, homem e mulher ao mesmo tempo, passando este a ser dividido por Zeus para que perdesse seu poder, tornando-se separados, precisando após isso voltar á unir-se para ser formar novamente 1, numa busca do que chamamos de alma gêmea.

Mas ultimamente temos percebido as pessoas evitando amar por medo, isto é, por receio de perdas, de sofrer, de serem rejeitadas e de não conseguirem fazer jus ao que o outro espera delas, ocorrendo um não comprometimento relacional com o outro, como medida de precaução de uma possível dor.

Como mecanismo de defesa, evita-se adentrar em relações amorosas concretas e busca-se superficialidade relacionais ou até mesmo apenas contatos virtuais. Mas seja como for, quem poderá estar realmente vacinado contra o sentimento de amor? Deixemos um pouco o romantismo e uma obrigatoriedade de “felizes para sempre” proposta pelos contos de fada, e aceitemos o amor quando este bater à nossa porta. Não tenhamos medo de amor, pois como dizia Renato Russo: “Não existe amor errado…”

 

(Texto de autoria de Carlos Alberto Hang, psicólogo (CRP 11.931) e jornalista (03991), pós-graduado em psicopedagogia, especialista em Educação Infantil & Séries Iniciais; formado também em filosofia, história, letras, teologia, inglês, italiano, trabalha com jornalismo desde 1994, ministrante de cursos e palestras, é Embaixador da Embaixada Universal da Paz – Genebra – Suíça – Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, é Cônsul de Joinville – Instituto Internacional Poetas del Mundo, detentor do Oscar Brasileiro by Grupo Jornalístico Ronaldo Côrtes de São Paulo).

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